O ministro de Relações Institucionais, José Múcio, informou nesta quinta-feira que o governo não tem a intenção de reapresentar a proposta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) ao Congresso Nacional. Segundo ele, por decisão democrática o Senado optou por encerrá-la a partir do dia 31 de dezembro deste ano.
— A CPMF, por decisão democrática do Senado, estará extinta a partir de janeiro. Evidentemente que ao longo da semana a equipe econômica do governo vai pensar quais serão as medidas que deverão tomar para substituí-la —, disse.
José Múcio, assim como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não quis adiantar quais serão as medidas a serem tomadas pelo governo para tapar o rombo nas contas públicas com a extinção da CPMF.
— Não sei que outro tipo de tributo, ou providência. Somente a equipe econômica poderá responder isso —, afirmou.
Ele informou que cada ministro já está fazendo as avaliações de onde podem ou não fazer cortes.
— Eu tenho absoluta certeza que, conhecendo o presidente da República, que os mais necessitados vão sofrer menos —, disse.
O ministro lembrou, no entanto, que faltam ao orçamento do país, com o fim da cobrança do chamado imposto do cheque, R$ 40 bilhões.
— É muito dinheiro em qualquer país. São programas sociais que servem hoje às pessoas mais necessitadas do país, são 100 milhões de brasileiros que são atendidos pelo SUS [Sistema Único de Saúde]. Evidentemente que o Brasil amanheceu surpreendido com isso —, afirmou.
O ministro José Múcio reafirmou que a disputa em torno da CPMF foi política.
— De repente nós nos vimos surpreendidos por uma batalha política. Existem dois grupos de brasileiros, aqueles que trabalham pelo quanto melhor, melhor, e aqueles que preferem quanto pior, melhor —, disse.
A derrota no Plenário do Senado, segundo destacou o articulador político do governo, serviu como experiência para o Palácio do Planalto.
— Muitas vezes para aprender a vencer, a gente precisa perder algumas vezes. Acho que é uma lição política. Acho que nos encaminha para uma reavaliação de forças. Nós precisamos repensar as nossas relações com o Senado, mas democratas que somos, temos de acatar a decisão do Senado —, analisou.
O ministro reconheceu que "o governo talvez tenha errado porque tenha subestimado, porque tenha levado essa discussão até o final do ano, mas de repente nós nos deparamos com uma briga política, com uma briga de partidos".
O ministro admite que para melhorar a relação com o Senado, e assim evitar casos semelhantes como o da CPMF, o governo precisará reconstruir "pontes" e ouvir um pouco mais os senadores, tanto os da oposição quanto os da base aliada.
— Em cima do fato de nós termos perdido para nós mesmos, nós precisamos fazer uma reavaliação das nossas relações com o grupo que nos representa no Congresso Nacional —, disse.
José Múcio informou que não conversou nesta manhã com o presidente Lula, que está na Venezuela, mas garantiu que o presidente está otimista.
— Ele acredita muito na força do país. Aliás, uma das melhores características do presidente é que ele não é um homem de queixas. Ele acredita tanto nesse país, que amanheceu otimista —, afirmou.
O ministro participou de uma reunião no Palácio do Planalto com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e os ministros da Fazenda, Guido Mantega; do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Saúde, José Gomes Temporão.
No encontro, eles avaliaram os impactos da rejeição pelo Senado, na madrugada desta quinta-feira, da proposta de prorrogação da CPMF.
Múcio diz que governo não tem intenção de reapresentar CPMF ao Congresso
Quinta, 13 de Dezembro de 2007 às 16:46, por: CdB