Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Mubarak diz que permanece no poder e gera onda de revolta no povo egípcio

Após dez dias de intensas manifestações por todo o país, caiu nesta quinta-feira a ditadura instalada no Egito há 30 anos e mantida com apoio dos Estados Unidos e dos países mais ricos da Europa. Em pronunciamento pela TV, o ditador Hosni Mubarak, resignado, anuncia que deixará o país nas próximas horas. A multidão concentrada na Praça Tahrir celebrou a queda do regime.

Quinta, 10 de Fevereiro de 2011 às 17:15, por: CdB
egitoprotesto7-300x168.jpg
Após dez dias de intensas manifestações por todo o país, caiu nesta quinta-feira a ditadura instalada no Egito há 30 anos e mantida com apoio dos Estados Unidos e dos países mais ricos da Europa. Em pronunciamento pela TV, o ditador Hosni Mubarak, resignado, anuncia que deixará o país nas próximas horas. A multidão concentrada na Praça Tahrir celebrou a queda do regime. Uma onda de protestos tomou conta da Praça Tahrir após o discurso do ditador Hosni Mubarak, que decidiu permanecer no poder até as eleições, em setembro deste ano. Ele afirmou que irá ampliar o poder do vice-presidente, Omar Suleiman, mas avisou que não pretende deixar o Egito e quer dar continuidade a um suposto diálogo que viria mantendo com a oposição.
egitoprotesto6-300x168.jpg
Na Praça Tahrir, no entanto, a multidão gritava "fora, fora, fora Mubarak" enquanto o ditador falava à nação, em uma crescente demonstração de revolta contra a decisão do regime de se manter na condução dos destinos políticos do país. O pronunciamento de Mubarak confirma a declaração do ministro da Informação do Egito, Anas el-Fiqqi, que negou na tarde desta quinta-feira os rumores de que Mubarak renunciaria ao cargo. O fato do Exército ter dito que as demandas do povo serão atendidas aumentou as expectativas de que o mandatário anuncie a própria renúncia. O comentário do ministro já levantava a possibilidade de que Mubarak poderia anunciar uma medida diferente, como manter o título de presidente, mas passar o poder efetivo a outro político ou ao exército. Mais cedo, o diretor de inteligência nacional dos Estados Unidos, James Clapper, afirmou que os protestos populares contra o regime do presidente egípcio terão um "impacto duradouro" no norte africano e no Oriente Médio. – A instabilidade, nutrida em grande parte por descontentamento econômico e político, claramente alcançou um ponto crítico nas últimas semanas e terá um impacto duradouro por todo o norte da África e o Oriente Médio – afirmou Clapper, dirigindo-se aos parlamentares norte-americanos. Também nesta quinta-feira, o vice-secretário de Estado dos EUA, Jim Steinberg, disse em texto ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes que o governo norte-americano irá trabalhar para garantir que a situação no Egito não crie "novos perigos para Israel e a região".
Tags:
Edições digital e impressa