Rio de Janeiro, 20 de Outubro de 2026

MST volta a ocupar fazenda grilada da Cutrale em São Paulo

Cerca de 400 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) voltaram a ocupar, a Fazenda Santo Henrique, na região de Bauru (SP), onde a Cutrale mantém um cultivo de laranja.

Segunda, 22 de Agosto de 2011 às 16:50, por: CdB

Cerca de 400 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) voltaram a ocupar, a Fazenda Santo Henrique, na região de Bauru (SP), onde a Cutrale mantém um cultivo de laranja. A área é reivindicada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), pois teria feito parte de um projeto de colonização criado em 1909 pelo governo federal. Uma decisão tomada há dois anos pela Câmara de Conciliação e Arbitragem da Advocacia Geral da União (AGU) também considerou que a fazenda deveria ser devolvida ao Estado. A Cutrale, porém, discorda. A empresa, a maior do mundo no ramo de suco de laranja, possui uma decisão favorável à manutenção da posse, emitida pela Justiça Federal. Após a ocupação do MST, a empresa divulgou nota oficial em que diz que a fazenda "gera centenas de empregos diretos" e está - confiante na Justiça para que a posse da propriedade seja reintegrada. Segundo Judite, uma militante do MST que participou da ocupação, o movimento luta há quinze anos para provar a grilagem das terras e já promoveu outras cinco ocupações anteriores. - Vamos permanecer aqui até chegar a ordem de reintegração de posse, disse ela à Carta Maior. - Quando chegamos cedo, a polícia e os seguranças da empresa já estavam aqui, mas não houve conflito, afirmou. Histórico A Fazenda Santo Henrique é a mesma área ocupada pelo MST em outubro de 2009, quando a divulgação de imagens aéreas de sem-terras derrubando o laranjal para plantio de alimentos deu início a um novo ciclo de criminalização do movimento. Na ocasião, a partir de um requerimento apresentado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), foi criada no Congresso a CPMI do MST, para investigar - contratos firmados entre a União e organizações ou entidades de reforma e desenvolvimento agrários (...) e a invasão de terras. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) chegou a apresentar um relatório final destacando a “inexistência de irregularidades”, mas, sem acordo com a oposição, a CMPI foi encerrada em janeiro deste ano. Apesar de reveses na Justiça, o Incra continuará pleiteando as terras nos tribunais. Uma nova ação para reaver a fazenda deve ser apresentada por meio da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria Regional Federal (PRF). Em seminário realizado em maio no escritório do Incra em São Paulo, o superintendente estadual do órgão, Raimundo Pires Silva, disse que aguardava a decisão da Justiça para decidir o que fazer com as terras. - As áreas vão ser transferidas em definitivo ao Incra para que possamos discutir as medidas necessárias à destinação dessas terras públicas, disse, confiante. A fazenda Santo Henrique é parte de um núcleo de colonização que somava cerca de 40 mil hectares em diversos municípios do interior paulista, como Agudos, Lençóis Paulista, Borebi, Iaras e Águas de Santa Bárbara. A ação do MST faz parte da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, iniciada na segunda-feira. O movimento também ocupou duas fazendas em Pernambuco e escritórios do Incra em Mato Grosso do Sul. Além disso, participará do Acampamento Nacional da Via Campesina, também montado nesta segunda, em Brasília, para pressionar o governo federal a acelerar a reforma agrária. O acampamento deve reunir quatro mil trabalhadores vindo de diversas regiões do país.

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