O juiz Antônio Horácio da Silva Neto, da comarca de Várzea Grande, concedeu liminar de reintegração de posse da fazenda São João ao 'comendador' João Arcanjo Ribeiro. A propriedade, indisponível por ordem da Justiça Federal, é ocupada há quase duas semanas por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
Acusado de chefiar o crime organizado em Mato Grosso, Arcanjo teve aceitos pela Justiça Estadual os argumentos de que sua fazenda é produtiva, conta com criações de peixes e gado e ainda oferece empregos.
- O autor (Arcanjo) comprova satisfatoriamente ser legítimo senhor e possuidor da área. De se registrar ainda que a fazenda conta com maquinários e implementos agrícolas, assim como uma sede de administração e casas para os empregados - ressaltou o juiz.
Segundo Silva Neto, o fato de Arcanjo responder por diversos crimes na esfera federal não foi sequer cogitado na avaliação da liminar.
- Eventuais situações processuais (...) devem ser verificadas e analisadas na seara competente e não podem nem devem servir de fundamento para negar-lhe o exercício de seus direitos civis - disse.
Sobre o MST, o juiz qualificou a causa como 'justa', mas disse discordar do 'uso indiscriminado da força' e da 'implantação do terror' como forma de pressão política.
- O Governo Federal é quem deve solucionar a questão da reforma agrária e, para isso, deve utilizar parâmetros constitucionais e legais - propôs.
- O Poder Judiciário não pode respaldar e legitimar invasões de propriedades com plena atividade agropastoril - disse.
Para Altamiro Stochero, coordenador estadual do MST, a decisão não foi exatamente uma surpresa.
- A Justiça Estadual nunca negou uma reintegração de posse. Os magistrados sempre julgam contra o movimento - avaliou.
- Mas já temos informação de que o Ministério Público Federal irá contestar a competência - falou.
No entender do juiz Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara da Justiça Federal, um pedido como este teria fundamento.
- À primeira vista, há interesse federal sobre a área - opinou.
Em caso recente e em situação semelhante, aponta Julier, um juiz de Santo Antônio do Leverger declinou da competência para a decisão.
- A terra também estava indisponível e o pedido acabou enviado para a Justiça Federal - disse.
A reportagem não conseguiu entrar em contato com o procurador da República, Pedro Taques, sobre a reintegração. Dos 5783 hectares da fazenda, 50 são ocupados pelo MST.
MST tem que desocupar fazendo no MT por ordem da justiça
Sexta, 14 de Novembro de 2003 às 02:56, por: CdB