O MST divulgou nesta sexta-feira uma nota em seu site na Internet (www.mst.org.br) com duras críticas à decisão do Supremo Tribunal Federal de suspender a desapropriação assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de uma área de 13,1 mil hectares em São Gabriel, no Rio Grande do Sul.
Os sem-terra, que iniciaram no dia 10 de junho uma marcha até a cidade gaúcha, informam que não vão desistir e que esperam todos neste sábado no município para dizer "em alto e bom som que propriedade improdutiva nenhuma pode estar acima da vida de qualquer pessoa". Segundo o documento do MST, "a mesquinhez venceu a esperança; a injustiça esmagou a Constituição".
Numa referência aos ministro dos Supremo, os sem-terra dizem: "Como eles, nos seu ternos e gravatas, nos seus ternos pomposos, poderiam saber o que passa um agricultor que não tem um pedaço de terra para produzir comida para seus filhos?".
A nota do MST afirma ainda que "dez pessoas (os ministro dos Supremo) se reuniram em Brasília, sorriram, discursaram, buscaram argumentos para defender um homem que, sozinho, possui 13 mil hectares".
O movimento acusa o proprietário da terra de ter fugido para não receber a notificação da vistoria. "O que o Supremo Tribunal Federal disse é que nossas vidas, oitocentos marchantes, valem menos do que a terra improdutivas", afirma a nota.
O MST acusa ainda os ruralistas, que organizam uma contra-marcha, de distribuírem panfletos chamando os sem-terra de "ratos". "Não houve sequer uma noite em que não tivéssemos que proteger nossos filhos dos tiros e rojões disparados contra o acampamento", diz a nota dos sem-terra. O documento afirma que os sem-terra serão vitoriosos na reforma agrária. "Caminharemos com a Constituição Federal em mãos. E seremos vitoriosos".