Por Redação — de São Paulo
A Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) divulgou, nesta quarta-feira, uma nota na qual denuncia e repudia “o ato agressivo e constrangedor que o membro da coordenação nacional do MST, João Pedro Stedile, sofreu no aeroporto de Fortaleza”. O fato ocorreu na noite desta terça-feira.
“Para o MST, este episódio não é um fato isolado, mas um reflexo do atual momento político pelo qual passa o país, em que se vê crescer a cada dia o ódio contra os movimentos populares, migrantes e a população negra e pobre, como os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro em que a juventude das favelas está sendo impedida, com risco de sofrer agressão, de ir às praias da zona sul da capital fluminense”, afirma a nota.
Stedille foi chamado de 'terrorista' pelo grupo que pedia a intervenção militar no Brasil
Ainda segundo o MST, “estes atos de violência e ódio propagado intensamente nas redes sociais, e que reverbera cada vez mais nas ruas, é mais uma demonstração da violência dos setores da elite brasileira dispostos a promover uma onda de violência e ódio contra os setores populares”.
João Pedro Stedille foi cercado por um grupo de manifestantes de ultradireita, aos gritos de “Vá pra Cuba!”, enquanto caminhava até o estacionamento. Recentemente, em outro recente episódio de ódio contra Stedile, circulou nas redes sociais um cartaz em que oferecia uma recompensa por ele “vivo ou morto”. Na época, segundo a nota do MST, “já alertávamos que a dimensão destes acontecimentos advém, sobretudo, de uma mídia partidarizada, manipuladora e que distorce e esconde informações, ao mesmo tempo em que promove o ódio e o preconceito contra os que pensam diferente”.
Assista ao vídeo:Mídia golpista
“São estes meios de comunicação a serviço de uma direita raivosa e fascista os responsáveis por formarem estas mentalidades criminosas e odiosas que alimentam as ruas e as redes sociais com os valores mais anti-sociais e desumanos que possa existir”, acrescenta a nota do Movimento.
"Entretanto, estas atitudes não serão capazes de nos tirar da luta por Reforma Agrária e pelos direitos sociais historicamente negados ao povo brasileiro. Não aceitaremos que nenhum militante dos movimentos populares sofra qualquer tipo de agressão ou insulto por defender e lutar por justiça social. Nos comprometemos a permanecer em luta nas ruas pela defesa da democracia, dos direitos civis, da classe trabalhadora e o respeito aos valores humanitários. Ousar lutar, ousar vencer!”, conclui a nota.
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