O MST iniciou uma série de ocupações e mobilizações como forma de pressionar o governo para que avance no cumprimento das metas do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA). Foram 28 ocupações com 7.442 famílias em oito Estados do Brasil "e muitas ainda vão ocorrer", garante nota divulgada nesta terça-feira pelo Movimento. A massificação das ocupações parte do conhecimento do MST de que "só a mobilização do povo trará as mudanças necessárias".
O mês de abril é simbólico na luta pela terra e sempre marcado por muitas manifestações desde que, em 17 de abril de 1996, 19 trabalhadores rurais foram assassinados no município de Eldorado de Carajás (Pará). Esta data se tornou o Dia Internacional de Luta pela Terra.
Durante as mobilizações, o governo federal anunciou a liberação de uma verba adicional de R$ 1,7 bilhão para o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), atingido o nível de recursos reivindicado pelo ministro Miguel Rossetto.
Os dirigentes do movimento explicam que não existe um rompimento ou uma ofensiva contra o governo. "Lutamos contra o latifúndio e contra a absurda desigualdade social do Brasil. Em relação ao governo, confiamos e pressionamos para que cumpra sua promessa de assentar 400 mil Sem Terra durante este mandato", explica João Pedro Stédile, da direção do MST .
João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional defende que o MST segue confiando no governo, mas está preocupado pois o movimento contabilizou, nos últimos 15 meses, o assentamento de apenas 25 mil famílias. Rodrigues diz que, segundo dados do governo federal, em 2004 foram assentadas 4 mil famílias. A meta do PNRA é o assentamento de 47 mil famílias assentadas ainda no primeiro semestre deste ano.
A liberação de novos recursos para a reforma agrária foi avaliada como positiva pelo MST. "Mostra que, de fato, o presidente Lula quer cumprir os acordos que firmou com o movimento de assentar 115 mil famílias este ano. Porém, o recurso por si só não resolve o problema das metas", avalia o coordenador do movimento. Ele aponta dois problemas ainda a resolver: contratação de servidores para o Incra e realização de um amplo debate com o judiciário para que o programa de Reforma Agrária possa avançar, uma vez que "a maioria das áreas em desapropriação estão paradas nos tribunais".