Rio de Janeiro, 11 de Agosto de 2026

MST pretende ocupar mais terras no Rio Grande do Norte

Sexta, 01 de Agosto de 2003 às 02:04, por: CdB

A ocupação da Fazenda São João, pertencente ao senador José Agripino Maia (PFL-RN), não foi um caso isolado. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está mandando um recado direto ao senador e aos políticos do Rio Grande do Norte.
 
Segundo João Batista, que é um dos coordenadores do MST na região de Mossoró e que mobilizou o grupo que acampou na Fazenda São João, reforçou o discurso da diretora do MST no Rio Grande do Norte, Fátima Ribeiro, sobre os objetivos políticos da invasão.

João Batista disse que políticos como José Agripino, que são críticos ferrenhos do movimento, tem grandes latifúndios improdutivos. 'É por isso que eles são contra o movimento', afirmou.

O militante informou que o MST já tem uma lista de 12 fazendas, todas com mais de cinco mil hectares, que estão improdutivas no Rio Grande do Norte. O detalhe é que essas fazendas pertencem a políticos influentes do Estado, ou a correligionários mais próximos.

Um outro líder do MST no RN, Damião de Souza Sabino, disse que uma dessas fazendas pertence ao senador Fernando Bezerra (PTB-RN) e fica no município de Monte Alegre. Bezerra é vice-líder do Governo no Senado. O senador do PTB afirmou na última quinta-feira que sua fazenda só será invadida por 'motivos políticos ou inexplicáveis'.

Ele sustenta que sua propriedade tem 500 hectares e o próximo MST adota o critério de ocupar terrenos que tenham mais de 800 hectares. Além disso, Bezerra garante que a fazenda é totalmente cultivada.
Produz melão para exportação e é usada para criação de gado leiteiro.

Na semana passada, houve uma inspeção do Ministério do Trabalho e, segundo o senador, os fiscais constataram que as pessoas trabalham no local com carteira de trabalho assinada e executam suas atividades de acordo com a normas de segurança.

Fernando Bezerra comunicou ao líder do Governo no Senado, Aloisio Mercadante (PT-SP) e ao superintendente em exercício da Polícia Federal, Severino Monteiro, as notícias sobre ameaças de invasão de sua propriedade. Ao concede entrevista para agências de notícias, o senador ainda comentou que é favorável à reforma agrária, mas contra invasões de terra.

- Os cabeças desses partidos tem muita terra improdutiva. É por isso que eles batem tanto no movimento. São latifundiários e não produzem nada - disse João Batista.

Esse ataque de João Batista a Agripino mostra a nova postura do MST. O movimento quer, muito além da luta pela reforma agrária, enfraquecer o discurso dos políticos que se opõe a atuação dos sem-terra.

- O movimento sabia que a invasão da fazenda de Agripino teria muita repercussão. Só não imaginava que fosse nacional - disse João Batista, reafirmando que o MST queria mostrar que Agripino é crítico dos sem-terra porque é latifundiário.

Na tarde de quinta-feira o senador José Agripino Maia falou sobre a invasão de sua fazenda. Ele disse que existe uma tensão no campo, mas que não pretende entrar em briga política com o MST.

Enquanto Agripino se esquiva do confronto com o MST, os assessores fazem a defesa do senador. O gerente comercial da Fazenda São João, Manoel Dantas, negou que a terra estivesse improdutiva.

Conforme Dantas, o complexo da Fazenda São João tem cerca de quatro mil hectares. 25% dessa área, o equivalente a mil hectares, estavam arrendados a uma outra empresa, que estava cultivando o sorgo. Outros 600 hectares ainda seriam usados no plantio de melão irrigado.

'Essas culturas são sazonais', disse Manoel Dantas, explicando que o plantio de melão é feito em trechos diferentes, entre uma safra e outra.
- Por isso a terra que não está sendo cultivada não é improdutiva - justificou.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) notificou oficialmente a família do senador José Agripino.

O superintendente do órgão, César José de Oliveira, se reuniu com o administrador geral das empresas de Agripino no

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