Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

MST pretende iniciar plantação em terra ocupada no Mato Grosso

Quinta, 02 de Outubro de 2003 às 23:38, por: CdB

Enquanto aguardam a decisão da justiça federal sobre a ocupação da Fazenda Ressaca, de propriedade do grupo empresarial Grendene em Cáceres, os trabalhadores rurais sem-terra que estão na área devem começar a gradear a terra e prepará-la para o plantio.

A informação foi dada na última quinta-feira pelo coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Mizael Barreto.
 
- A terra é produtiva e não podemos ficar de braços cruzados. O governo não alimenta os acampados. Vamos trabalhar e produzir alimentos enquanto aguardamos a decisão judicial - disse ele.

A fazenda, de mais de 33 mil hectares, foi ocupada há 17 dias por 1,5 mil famílias de sem-terra ligados ao MST, oriundas de outros acampamentos da região, como o Sílvio Rodrigues, de Mirassol D´Oeste, e o Padre José Ten Cate, de Rio Branco.

Atualmente já batizado de Lourivaldo Abich, o acampamento tem 4,5 mil famílias cadastradas, o que significa um número estimado entre 7 a 8 mil pessoas incluindo crianças. É o maior acampamento do MST em Mato Grosso. O grupo Grendene está na área há mais de 20 anos atuando com tecnologia de ponta em pecuária.

Até a tarde de quinta, não havia chegado nenhum carregamento o de alimentos no local, promessa feita por uma equipe do Incra na última quarta-feira quando os sem-terra bloquearam a BR-070 entre Cuiabá e Cáceres, em frente ao acampamento, das 6 às 17 horas, protestando pela não-liberação de alimentos estocados pelo governo federal no armazém da Conab em Rondonópolis.
 
Pelo acordo, eles deverão receber 91 mil quilos de alimentos, sendo 64 mil para o acampamento de Cáceres, 23 mil para o Sílvio Rodrigues e 14 mil para o Padre Ten Cate.

A dificuldade, segundo Mizael, está sendo o transporte. O Incra garantiu apenas um caminhão, e são necessários oito. Lideranças do movimento estavam tentando uma reunião com o prefeito de Cáceres, Túlio Fontes (PFL), para conseguir o transporte.
 
Na quinta-feira, no acampamento, as famílias dividiram o último estoque de arroz e macarrão. Se o caminhão não chegasse, nesta sexta-feira não haveria comida, e a situação pode provocar novos protestos, inclusive saques a carretas que transportam alimentos, segundo informações confirmadas pelo coordenador Mizael Barreto.
 
- Sem comida é que os acampados não podem ficar - resumiu ele.

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