Uma reunião realizada na última segunda-feira entre o secretário de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco, Gabriel Maciel, e representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) pode facilitar um entendimento sobre o impasse envolvendo o Engenho Prado, em Tracunhaém (Zona da Mata, a 63 quilômetros do Recife).
As partes assinaram um Termo de Compromisso no sentido de transferir para outro espaço as 300 famílias de sem-terra que ocupam o engenho há seis anos. Maciel ofereceu 300 hectares de terra do Governo do Estado localizados do município agrestino de Passira (a 100 quilômetros do Recife) aos movimentos.
Estes, por sua vez, comprometeram-se a visitar o local amanhã, mas adiantam que a área ofertada não será suficiente para assentar todas as famílias acampadas no engenho de Tracunhaém.
- As terras do Governo do Estado só comportam 20 das 300 famílias - afirmou o coordenador do MST em Pernambuco, Jaime Amorim.
Outro problema, segundo Jaime, seria a transferência dos agricultores para o Agreste.
- É uma região de clima Semi-árido. Não sei se os companheiros se adaptariam - alega.
Apesar da indisposição prévia dos sem-terra, porém, Gabriel Maciel vê o acordo como um passo significativo no sentido de solucionar a polêmica envolvendo os agricultores e o grupo João Santos, proprietário do engenho Prado.
- O importante agora é que os movimentos aceitem transferir as famílias para Passira. Sei que a área é insuficiente, mas vamos assentar os demais acampados gradativamente, contanto que os sem-terra aprovem o terreno e os donos do engenho concordem com o termo assinado hoje - disse ele.
Quanto à alegação do MST de que as terras seriam impróprias para o assentamento, o secretário rebateu.
- Como agrônomo, não vejo comparação. A estrutura das terras do Governo em Passira é infinitamente superior. Mas não queremos impor uma determinação de cima para baixo - contemporizou.
O Engenho Prado tem sido palco de vários confrontos entre seus proprietários, o MST e a CPT. O mais graves deles aconteceu no mês de maio, quando os acampados tocaram fogo em equipamentos, construções e plantações de cana-de-açúcar da área.
Atualmente, o grupo João Santos possui em mãos um mandado de reintegração de posse expedido pelo juiz da comarca de Nazaré da Mata, apesar de a área já ter sido inspecionada e considerada improdutiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), segundo o superintendente estadual do órgão, João Farias.
MST pode sair do Engenho Prado em Pernambuco
Segunda, 08 de Setembro de 2003 às 23:14, por: CdB