O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou uma propriedade no Pontal do Paranapanema, em São Paulo e antecipou o chamado "abril vermelho", quando o movimento intensifica seus protestos para lembrar o massacre de 19 sem-terra em Eldorado do Carajás, em abril de 1996.
Pouco mais de um mês após o "Carnaval Vermelho", quando 14 fazendas no Pontal foram ocupadas, a ala do MST liderada por José Rainha Jr., com cerca de 80 militantes entraram nesta sexta-feira, na fazenda Esperança, em Iepê. Em menos de 40 dias, é a segunda vez que a propriedade é invadida.
A Polícia Militar disse que 40 pessoas estavam na área e que não houve destruição de cercas. Foi a 20ª invasão no Pontal neste ano e a 17ª de grupos ligados a Rainha, que, mesmo afastado pela direção do MST, atua em nome da sigla.
O proprietário não foi localizado pela reportagem.
Segundo o coordenador do MST, Sérgio Pantaleão, o objetivo é protestar contra o governo de José Serra (PSDB), que enviou à Assembléia projeto que regulariza áreas suspeitas de serem devolutas no Pontal.
O diretor-executivo do Instituto de Terras do Estado de São Paulo, Gustavo Ungaro, afirmou que, ao aderir ao projeto, o proprietário cederá parte de sua área para fins de reforma agrária em troca da legalização da titularidade.