Um grupo de cerca de dois mil trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocuparam a fazenda Itamarati II em Ponta Porã, a 340 quilômetros de Campo Grande (MS). Segundo o secretário do MST na região, Édson Roberto, a ocupação foi um protesto contra o novo sistema de assentamento do Incra no Mato Grosso do Sul.
Na fazenda, que possui uma área de 50 mil hectares, O MST assentou as famílias através de um modelo em que doze hectares foram destinados a cada família, sendo quatro deles para construir a moradia e oito para a produção coletiva. "O MST não aceita esse novo modelo (do Incra), em dos 12 hectares destinados às famílias, seis eram para moradia, não quatro", diz o superintendente do Incra-MS, Luiz Carlos Bonelli.
Para o superintendente adjunto do Incra -MS, Valdir Périus, a ocupação foi uma surpresa. "Várias reuniões foram feitas, e mesmo assim o MST ocupou a parte administrativa da fazenda, provocando transtornos e vandalismo aos trabalhos de implantação do assentamento".
Nenhum contato foi feito ainda do MST com Incra. A motivação para a invasão, segundo Périus, é a marcha nacional que está ocorrendo entre as cidades de Goiânia e Brasília. "É uma atitude política do MST, existe um processo de negociação com outros movimentos. Apenas o MST não aceita o nosso modelo", informou.
O MST informou que uma parte dos movimentos como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ex-funcionários da fazenda aceitam o novo modelo, mas nega a existência de clima tenso entre eles. O superintendente adjunto do Incra disse que 15 funcionários do Incra estão sendo mantidos reféns e nove veículos oficiais foram apreendidos. O MST nega, e diz que o clima é de tranqüilidade.
MST ocupa fazenda em MS em protesto contra sistema de assentamento do Incra
Quarta, 04 de Maio de 2005 às 18:09, por: CdB