Duzentas e quarenta famílias ligadas ao MST mantiveram, nesta segunda-feira, a ocupação iniciada na véspera, em Marabá, sudeste do Pará. A fazenda Cedro, reconhecida por sua produção de gado zebu é uma área em disputa jurídica entre o Estado, a família Mutran e o grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, investigado por evasão de divisas, formação de quadrilha e fraude fiscal pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal (PF). Segundo informações apuradas por jornalistas, na região, o antigo castanhal foi transferido através da ferramenta jurídica do aforamento, para ser explorado de forma extrativa pela família Mutran.
"Ao longo os anos o castanhal deixou de existir e em seu lugar surgiu o pasto. No Pará o aforamento abrange um período de concessão de 1955 a 1966. A família Mutran foi a principal oligarquia do sudeste do Pará e conhecida pela forma truculenta com que costuma tratar os seus adversários e pela prática de mão de obra escrava em áreas que controlou", escreve de Marabá o jornalista Rogério Almeida.
Com a ocupação da fazenda Cedro, agora são três as fazendas ocupadas pelo MST que envolve o nome da Pecuária Santa Bárbara. Neste domingo, o movimento rompeu as cercas da fazenda Espírito Santo, em Xinguara e em agosto do ano passado ocupou a Maria Bonita, no município de Eldorado dos Carajás.
Charles Trocate, dirigente do MST no Pará esclarece que ocupar a fazenda Cedro é uma agenda histórica do movimento. E quanto às acusações de seqüestro e violência que o grupo Santa Bárbara acusa o MST no caso da fazenda Espírito Santo, o dirigente informa que são infundadas e que tais práticas não integram o modo de agir do movimento. "Nas quebradas dos Carajás uma série de redes econômicas, sociais e políticas se agita na disputa pelo território. E não é de hoje", afirma Trocate.