Rio de Janeiro, 10 de Maio de 2026

MST e Via Campesina participam de marcha em Joanesburgo

Sem participar da Rio+10 e do Fórum dos Povos, os quatro mil camponeses de vários países e da África do Sul, acampados durante os eventos na fazenda New World, consideram a cúpula o maior fracasso de todas as conferências internacionais. Integrantes de ambos os movimentos brasileiros não participaram dos foruns oficiais. Eles denunciam a conferência e a classificam de "um falso diálogo com o qual se pretende utilizar os movimentos sociais", afirmou Egídio Brunetto, dirigente nacional do MST.(Leia Mais)

Sábado, 31 de Agosto de 2002 às 14:53, por: CdB

Longe das negociações da Rio+10 e do Fórum dos Povos, quatro mil camponeses da Namibia, de Zimbábue, México, Chile, Indonésia, França, Movimento dos Sem-Terra do Brasil (MST) e da África do Sul(Landless People´s Movement, LPM), Via Campesina, acampados na fazenda chamada, antes, ShareWorld, hoje New World (Novo Mundo), em Joanesburgo, marcam presença na África do Sul de outro jeito: com uma marcha neste sábado. As lideranças do MST e da Via Campesina ficaram de fora dos dois eventos. "Se participássemos, enquanto nos desgastamos discutindo e dialogando, os governos, por sua parte, aplicariam sem barreiras, suas políticas em beneficio do grande capital. Por isso, dizemos que o fórum não é mais do que um falso diálogo com o qual se pretende utilizar os movimentos sociais", diz o dirigente nacional do MST, Egídio Brunetto. Dirigentes do MST e da Via Campesina classificam a Rio+10 como o fracasso mais eloqüente de todas as cúpulas internacionais organizadas pela FAO (Organização da ONU para a Agricultura e Alimentos), a OMC (Organização Mundial do Comérecio) ou qualquer outro organismo superestrutural. "Essa cúpula é uma vergonha para a humanidade", diz Brunetto, também dirigente da Via Campesina. "Todos os governantes mundiais que participam da Rio +10 estão empenhados numa tarefa que levará à destruição dos recursos naturais nas mãos das empresas transnacionais. Os organismos multilaterais como as Nações Unidas deixaram evidente que estão a serviço do grande capital e que sua intenção nessa cúpula é impor as deliberações da OMC", diz. "O preço que todos nós vamos pagar por essa irresponsabilidade é a destruição crescente do nosso planeta, a privatização de elementos essenciais para a subsistência e desenvolvimento da espécie humana". A unidade na ação dos diversos movimentos camponeses tem a ver com conceitos negados pelo sistema. O movimento identifica como elementos fundamentais para a humanidade: ar, água e os alimentos. E, para produzir alimentos, são necessárias sementes. "Não podemos correr o risco das empresas multinacionais modificarem geneticamente as sementes e que o futuro da humanidade fique nas mãos de três ou quatro empresas que tenham a chave dessas patentes estéreis, que geram uma única colheita para obrigar a sua compra", diz Brunetto. "A humanidade tem que defender as sementes como seu patrimônio e deve velar pela biodiversidade das espécies, pois é isso que garante o futuro da nutrição. Não podemos submeternos a um padrão alimentar determinado pelos Estados Unidos." O debate interno da Via Campesina está orientado fundamentalmente pela luta contra a mercantilização da terra. "A terra é um patrimônio da humanidade e deve estar a serviço da produção de alimentos e não como objeto de grandes transações comerciais", diz Brunetto. Articulação entre MST sul-africano e brasileiro A delegação o MST e da Via Campesina na África do Sul está empenhada em estabelecer laços com o Movimento Sem-Terra da África do Sul ( Landless People´s Movement). Mas antes, como esclarece Brunetto, os camponeses sem-terra da África do Sul devem se consolidar como movimento. "A Via Campesina funciona com o conceito da autonomia dos movimentos que a integram, e, portanto, não pode falar em nome dos movimentos particulares. O princípio da autonomia é sagrado para nós. Trouxemos uma proposta aos companheiros do Movimento Sem-Terra da África do Sul, sobre como se integrar à nossa articulação e de que maneira podemos apoiá-los. Esse é um movimento novo que deverá ter bem claro quais são seus objetivos, mas tenho certeza de que a nossa presença aqui vai fortalecer a luta dos camponeses sul-africanos, contra a mercantilização da terra". Brunetto fala também sobre o dilema de como construir espaços de mobilização e participação efetivos. Para ele, não existem receitas mágicas, mas diz acreditar que as novas formas de organização devem se forjar fora das instituições formais. "Até agora todas fracassaram na

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