Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

MST deixa fazenda em São Jerônimo e volta para acampamento

Sábado, 11 de Outubro de 2003 às 16:31, por: CdB

Os sem-terra deixaram a fazenda Limoeiro na tarde deste sábado, dia 11, e voltaram ao acampamento, montado logo ao lado da área, em São Jerônimo.
 
Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) haviam reocupado a área na manhã deste sábado após um confronto com funcionários da fazenda, onde duas pessoas ficaram feridas por conta de disparos de armas de fogo. Por força de uma decisão da Justiça, o MST tinha saído do local na noite da última sexta, mas decidiram retomar a invasão.

O conflito deixou tenso o clima na região. A Brigada Militar mantém efetivo reforçado na área. A Polícia Civil tenta conseguir um mandado de busca e apreensão para procurar armas no acampamento. O secretário estadual da Reforma Agrária, Vulmar Leite, foi até a cidade negociar uma saída para a situação.

Na manhã de sábado, o MST chegou a colocar bandeiras do movimento na porteira da fazenda. O clima de tensão foi amenizado com a chegada da Brigada Militar.
 
Por volta das 11h, os delegados da Polícia Civil trabalhavam na área na tentativa de identificar as pessoas que atiraram. Foram atendidos no hospital de São Jerônimo Jair Ribeiro e Ademar Antunes Santos, ambos feridos sem gravidade com estilhaços de chumbo.

O confronto ocorreu por volta das 10h. Conforme o MST, funcionários da fazenda tentaram abrir uma vala próximo ao local onde os sem-terra estavam, às margens da estrada. Neste momento, houve o confronto.
 
Segundo relatos obtidos pela BM, os sem-terra atiraram primeiro. O chefe da Polícia Civil, delegado João Antônio Leote, que estava em São Jerônimo quando houve o incidente, foi à delegacia acompanhar o trabalho. No final da manhã, já havia pessoas detidas prestando depoimento. Colonos e funcionários da fazenda trocavam acusações de tentativa de homicídio.

O proprietário das terras, Jair João Vidalette, estava no local pela manhã para avaliar supostos estragos feitos pelos sem-terra. Antes de desocupar a propriedade, na sexta, os colonos teriam queimado casas dos funcionários.

Uma equipe da RBS TV que estava no local para conferir a denúncia de estragos, foi ameaçada e cercada por colonos que exigiam a entrega da fita com as imagens feitas no local.
 
Em entrevista à Rádio Gaúcha, o secretário da Justiça e da Segurança, José Otávio Germano salientou que o fato de os sem-terra ficarem instalados junto à área que recém haviam desocupado aumenta os riscos de confronto.

A posse da fazenda é disputada judicialmente entre o Estado e Vidalette.

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