O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reuniu famílias de todos os acampamentos do Estado do Rio Grande do Sul e decidiu, neste domingo, manter a ocupação realizada na última semana a um latifúndio de 7 mil hectares no município de Coqueiros do Sul. A maioria das famílias é do acampamento que estava as margens da RS 406, em Nonoai, que sofreu despejo violento pela Polícia Militar no dia 23 de fevereiro.
"O governo federal não cumpre o Plano Nacional de Reforma Agrária e o governo gaúcho trata a questão agrária como caso de polícia, nos despejando até das margens de uma rodovia estadual. Nossa alternativa é ocupar os latifúndios e denunciar à sociedade que a Reforma Agrária está parada no Rio Grande do Sul porque não é prioridade para os governos Lula e Rigotto. Terra para desapropriar tem bastante", afirma o MST.
O Movimento reivindica o assentamento imediato das 2.500 famílias acampadas no Rio Grande do Sul. Algumas famílias estão há sete anos embaixo das lonas pretas. Nos últimos três anos, somente 220 famílias foram assentadas em novos assentamentos no Estado. A Fazenda Guerra é um latifúndio de 7 mil hectares que abrange os municípios de Coqueiros do Sul, Carazinho e Pontão. A área, de propriedade de Felix Tubino Guerra, é suficiente para assentar cerca de 350 famílias. Esta é a terceira vez que o MST ocupa o latifúndio.
Cerca de 500 barracões de madeira foram erguidos na Fazenda Guerra para abrigar as 1.800 famílias sem terra que estão na ocupação. "Nossa expectativa é que os governos federal e estadual negociem com o proprietário e cheguem a um entendimento para que a Fazenda Guerra seja transformada num assentamento", afirma Edenir Vassoler, da coordenação estadual do MST.
Segundo o Movimento, o Plano Nacional de Reforma Agrária do Governo Federal previa o assentamento de 15 mil famílias no Rio Grande do Sul até 2006, mas nos últimos três anos apenas 220 famílias foram assentadas em novas áreas no Estado.