Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

MST critica pesquisa do Ibope, encomendada pelo agronegócio

Quarta, 14 de Outubro de 2009 às 15:08, por: CdB

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) criticou, nesta quarta-feira, a pesquisa divulgada na véspera pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com base na qual a entidade afirma que cerca 72% dos assentamentos do país não produzem o suficiente para gerar renda e que 37% dos assentados brasileiros vivem mensalmente com no máximo um salário mínimo. Para o MST, a pesquisa – encomendada pela CNA ao Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) – não pode ter relevância porque analisou apenas nove assentamentos.

“Uma pesquisa feita em apenas nove assentamentos é tão tabajara e ridícula que não tem relevância alguma. Estranhamos que o Ibope se preste a esse tipo de trabalho apenas para atender a vontade dos latifundiários. Confiamos no Censo Agropecuário, que demonstra que a concentração de terras no país cresceu nos últimos 10 anos”, afirmou João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do MST, por meio de nota.

A opinião do MST coincide com a do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Em entrevista coletiva, ontem, (13), o presidente do Incra, Rolf Hackbart, disse que o Censo Agropecuário apresenta números bem diferentes.

“Quero reafirmar que a reforma agrária produz muitos alimentos. O Censo Agropecuário, que pesquisou todos os estabelecimentos do país, mostra que a agricultura familiar detém 24% da área total e produz 40% do valor bruto da produção agropecuária brasileira. Fico com o censo e não com o Ibope, que pesquisou mil famílias. Temos 1 milhão de famílias assentadas no Brasil inteiro em 80 milhões de hectares. A amostra é insuficiente”, afirmou Hackbart. Para ele, a pesquisa da CNA teve o interesse de demonstrar que a “reforma agrária não é mais necessária”.

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