Rio de Janeiro, 01 de Fevereiro de 2026

MST continua marcha e ministro impõe condições para negociar com sem-terra

A marcha dos sem-terra em direção à fazenda de FHC e seus filhos, em Buritis, Minas Gerais, mantém-se firme e o grupo de 200 integrantes do MST deverá chegar na noite desta quinta-feira ou na manhã de sexta. O ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, no entanto, já advertiu que somente negociará com o Movimento se a fazenda de FHC for poupada de uma invasão

Quinta, 04 de Outubro de 2001 às 13:42, por: CdB

Os cerca de 200 sem-terra ligados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que marcham rumo à fazenda dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (noroeste de Minas Gerais), pretendem chegar na noite desta quinta-feira ou na sexta de manhã. Eles saíram do centro de Buritis na tarde de terça-feira e, segundo a Polícia Militar, acamparam à noite a cerca de 30 km da fazenda. A direção do MST disse que ainda não decidiu se vai acampar na frente da fazenda ou tentar invadi-la. Jungmann só negocia com sem-terra fora da fazenda de FHC O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, determinou ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) que só retome as negociações com o MST após integrantes do movimento desistirem de ir para a fazenda dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, a Córrego da Ponte. Ontem, cerca de 200 sem-terra marchavam rumo à fazenda, na periferia de Buritis (noroeste de Minas Gerais). Eles pretendiam chegar nesta noite ou amanhã de manhã à localidade. Mas, no final do dia, os líderes da marcha afirmaram que não tinham certeza se prosseguiriam até a fazenda. De acordo com eles, há possibilidade de que outra propriedade seja invadida. Os sem-terra haviam saído do centro de Buritis na tarde de anteontem e, de acordo com a Polícia Militar, estavam acampados ontem à noite em uma área que fica a cerca de 30 km da fazenda dos filhos do presidente. A liderança dos sem-terra sabe que a Córrego da Ponte está cercada desde a segunda-feira por 340 homens do Batalhão da Guarda Presidencial, mas afirma que os sem-terra só desistem da caminhada se o governo enviar representantes a Buritis para negociar uma pauta de reivindicações da categoria.

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