MPL e sem-teto voltam às ruas na periferia paulistana
O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), o grupo Periferia Ativa e o Movimento Passe Livre (MPL) convocaram para terça-feira, na Zona Sul de São Paulo, novos atos por melhoria dos serviços públicos e contra a violência policial.
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O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), o grupo Periferia Ativa e o Movimento Passe Livre (MPL) convocaram para terça-feira, na Zona Sul de São Paulo, novos atos por melhoria dos serviços públicos e contra a violência policial. A concentração às 7 horas na Praça do Campo Limpo e na estação de metrô Capão Redondo deve repetir as mobilizações convocadas na quarta-feira passada, voltadas para as regiões periféricas da capital.
- Achamos que ao levar os atos para a periferia, há uma reivindicação concreta dos trabalhadores. Não é um ato com ideias conservadoras porque isso depende de ter pautas claras. Deixamos claro que as pautas passam longe de algumas pautas conservadoras, que nós lamentamos muito - diz Guilherme Boulos, de coordenador nacional do MTST. “A gente entende que o trabalho que já existe nessas regiões, com movimentos nos bairros, é importante, e a partir disso marcamos na Zona Sul.”
Os organizadores do ato vão cobrar a desmilitarização da Polícia Militar, a redução do custo de vida e controle público sobre os preços dos aluguéis. Na visão dos movimentos que atuam na periferia, a alta nos valores despendidos pelas famílias mensalmente em moradia torna inviável a habitação nas grandes cidades e agrava a pobreza. Além disso, os manifestantes vão promover a discussão sobre a “tarifa zero”, principal bandeira do Passe Livre.
A novidade em relação aos atos da semana passada na mesma região é justamente que o MPL estará concentrado na periferia neste dia. Nas últimas semanas, a necessidade de provocar a revogação do aumento da tarifa de ônibus, trem e metrô levou à concentração das manifestações no centro. “A gente entende que agora, mais do que nunca, depois que os protestos tomaram uma dimensão muito grande, é fundamental que o MPL, que tem uma articulação com esses grupos, se una a eles para continuar a debater as questões que vão além da questão da revogação do aumento. A gente consquistou a revogação. O passo seguinte é a tarifa zero”, explica a militante do MPL Erica de Oliveira.
Ela nega que o movimento tenha recuado na ideia de não convocar novos atos. Na sexta-feira, o grupo emitiu nota condenando a violência contra partidos políticos na manifestação da véspera, que deveria ter sido uma comemoração da revogação do aumento, obtida na última quarta-feira do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito da capital, Fernando Haddad (PT). “O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário”, disse o comunicado. “Desde os primeiros protestos, essas organizações tomaram parte na mobilização. Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos.”
Érica diz que o movimento não fechou posição quanto a organizar ou não novos atos como forma de evitar que a mobilização seja apropriada por grupos conservadores e pela mídia tradicional. “Nosso papel enquanto movimento social é fortalecer a luta social de esquerda. Se a luta social de esquerda está na periferia de São Paulo, é para lá que a gente vai. É importante para os movimentos sociais que foram fundamentais para a gente na luta contra o aumento.”
Em nota divulgada no sábado, com o título “Sobre a continuidade da luta”, o Passe Livre disse que não tomou a decisão de suspender os protestos. "Se antes diziam que baixar a passagem era impossível, a luta do povo provou que não é. Já derrubamos os 20 centavos. Podemos conquistar muito mais. O transporte só vai ser público de verdade quando não tivermos que pagar nenhuma tarifa para usá-lo", informou.
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