Rio de Janeiro, 24 de Janeiro de 2026

MP visitará Vila Cruzeiro para apurar denúncias

Quinta, 17 de Maio de 2007 às 07:37, por: CdB

Em reunião na tarde desta quarta-feira com membros da Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj), o subprocurador-geral de Justiça dos Direitos Humanos, Leonardo Chaves, acertou uma visita ao Complexo da Vila Cruzeiro, na Penha, na próxima semana. Há mais de 15 dias, a comunidade está sendo ocupada pela polícia. A ação já deixou 15 mortos e 45 feridos. Durante o encontro, o grupo falou das dificuldades que os moradores enfrentam, principalmente nas áreas sob intervenção da polícia.

Além das pessoas mortas e feridas devido ao intenso tiroteio entre traficantes e policiais, os representantes das associações de moradores relataram outros problemas, como a paralisação das aulas em sete escolas na comunidade do Caracol, na Penha; o fechamento de dois postos de saúde na região, e a interrupção dos serviços de telefonia e luz. Alguns líderes comunitários afirmam que, intencionalmente, tiros são dados nos transformadores de energia.

- As denúncias são graves e serão apuradas. Visitaremos a Vila Cruzeiro para ver 'in loco' os problemas denunciados. Depois dessa visita, saberemos que providências poderão ser tomadas - informou Leonardo Chaves.

Na visita à Vila Cruzeiro, o subprocurador deverá encontrar as diretoras das escolas que tiveram as aulas interrompidas e pessoas atingidas por balas perdidas, além de receber uma lista com o nome das pessoas mortas e encontrar familiares das vítimas. - Estamos tendo muitos problemas. É tiro de cima pra baixo e de baixo pra cima - salientou o vice-presidente da Faferj, José Nerson de Oliveira.

Os representantes das associações contaram, por exemplo, que na comunidade de Acari, as revistas policiais têm sido feitas de forma inadequada, e alguns moradores estariam tendo seus pertences tomados. Nos morros da Tijuca e no Jacarezinho, o carro blindado da polícia, conhecido como Caveirão, estaria tocando músicas em som alto e com frases ofensivas, desrespeitando os moradores.

- Que fique claro que ninguém me pediu para intervir no papel constitucional da polícia. Eles me apresentaram denúncias e pediram socorro - relatou Leonardo Chaves.
Participaram da reunião representantes das comunidades do Caracol, Rocinha, Laboriox, Borel, Vila Cruzeiro, Escondidinho, Acari, Jacarezinho, Cidade Alta, Andaraí, Kelsons, Jardim Batan, Sumaré, Caixa d'Água, Morro da Paz, Manguinhos, entre outras.

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