O sub-procurador geral de Justiça no Espírito Santo, José Marçal de Ataíde, vai ingressar com um agravo de instrumento contra a reintegração dos sete deputados que ficaram afastados das funções parlamentares por cerca de 65 dias. Segundo ele, o afastamento dos deputados é necessário para garantir a integridade das provas, principalmente as testemunhais, coletadas pelo Ministério Público. Sérgio Borges (PMDB), José Tasso (PTC), Gilson Gomes (PFL) Fátima Couzi e Gilson Amaro (sem partido), Luiz Carlos Moreira (PMDB), Marcos Gazzani (PGT) foram denunciados por terem recebido propina no valor de R$ 30 mil cada um, no ano de 2000, para reeleger o ex-deputado José Carlos Gratz para a presidência da Assembléia Legislativa. O dinheiro teria vindo de duas contas bancárias do empresário e ex-presidente do Banestes - Banco do Estado do Espírito Santo - Carlos Guilherme Lima, preso desde o dia 02/12/01 na carceragem da Polícia Federal, em Vila Velha, acusado de ser o tesoureiro do crime organizado no Estado. O esquema teria sido montado pelo ex-deputado José Carlos Gratz visando a sua reeleição. Gratz também está preso há 42 dias na Polícia Federal acusado de abuso de poder econômico na campanha eleitoral de 2002. Para o sub-procurador, com o retorno às atividades parlamentares, os deputados podem usar o poder para coibir as testemunhas, atrapalhando o andamento do processo. José Marçal disse ainda que, apesar do Ministério Público Estadual não ter sido intimado até o momento, já está trabalhando para reunir provas que comprovem a participação dos deputados no esquema. O MPE aguarda a citação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para se manifestar. A determinação do retorno imediato dos deputados já foi encaminhada ao Tribunal de Justiça por meio de um telegrama urgente.
MP quer impedir retorno de deputados afastados por corrupção
Sábado, 12 de Abril de 2003 às 06:35, por: CdB