Rio de Janeiro, 14 de Janeiro de 2026

MP militar pode investigar controladores, admite sindicato

Terça, 03 de Abril de 2007 às 08:59, por: CdB

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Proteção do Vôo, Jorge Botelho, que representa os controladores civis e participa de reunião com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, admitiu nesta terça-feira, que o Ministério Público Militar tem a prerrogativa de investigar a greve dos controladores militares ocorrida na última sexta-feira, que trouxe reflexos para os vôos de todo o país no sábado e domingo seguintes. - O MP tem essa prerrogativa de investigar - disse ele.

Botelho afirmou ainda que os controladores de vôo não farão novo movimento na Semana Santa, e acrescentou que, neste momento, o espírito é de negociação. - Eu venho com espírito de negociar e conversar e alertar o governo de que a coisa podia complicar. Vários alertas avisando que a temperatura estava crescendo, que havia uma pressão muito grande. E que os militares podiam não agüentar a pressão - disse ele, antes de encontro com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Botelho acrescentou que o grupo de trabalho existente sobre a crise aérea já vinha discutindo uma forma de solucionar o problema dos civis e militares e, segundo ele, acabar com os quatro regimes de trabalho que existem. No encontro desta terça, a expectativa é de negociação em torno da gratificação específica aos controladores aéreos.

A reunião entre os representantes dos controladores civis e militares e o governo faz parte do acordo feito na sexta-feira entre o ministro e os controladores que estavam em greve. Na reunião de sexta, além da gratificação, o governo comprometeu-se com a desmilitarização do setor e em não aplicar punições nos amotinados. Botelho representa os controladores civis. O representante dos controladores militares entrou no ministério para a reunião sem dar entrevista.

Segundo Botelho, embora os controladores civis estejam em "estado de greve", isso não significa dizer que haverá novas paralisações no feriado do próximo fim de semana. - No momento estamos com espírito de trabalhar normalmente e trabalhar em clima de tranqüilidade. Não há greve. Eles decidiram por um estado de greve. Não há nenhuma pressão tendo em vista o feriado. Hoje estamos iniciando a negociação e a conversa. Então não posso dizer que vou fazer isso e aquilo - afirmou.

Os controladores civis representam 20% do total dos controladores de vôo do país. Os outros 80% são militares.

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