A possível invasão de municípios no interior do Estado por traficantes expulsos das favelas cariocas durante as operações policiais é um dos pontos investigados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, entre as consequências das ações classificadas como "pacificação" das comunidades atingidas pelo tráfico de drogas. Fontes oficiais da secretaria estadual de Segurança Pública e da Polícia Militar afirmaram, neste domingo, que compartilham de informações sobre a migração dos principais líderes das facções criminosas que agem na cidade para pontos dentro dos llimites metropolitanos, mas não haveria "comprovação de invasões no interior (do Estado)".
Volta Redonda, município a cerca de 120 quilômetros ao sul da capital, tem sido palco, porém, de batalhas entre traficantes ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Terceiro Comando Puro (TCP) que têm levado o pânico aos moradores do bairro Vila Brasília, maior ponto de distribuição de drogas da região. Dados divulgados pelo Movimento Resgate da Paz, uma organização não governamental integrada por líderes religiosos e comunitários, revelam que grande parte dos mais de 60 homicídios registrados no município em 2009 ocorreu naquela região e a maioria das vítimas estava envolvida com o tráfico de drogas.
Em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, o MP acompanha a movimentação de integrantes do CV do Complexo do Alemão no Morro do Dedé e no Alto do Olaria. Já o Vale das Rosas estaria controlado pela facção Amigo dos Amigos (ADA), originária da favela da Rocinha, no Rio, a maior do país. Petrópolis, outrora bucólica e conservadora, agora vive momentos de tensão, com a chegada de cúmplices do homem forte do TCP, Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, nas comunidades Sertão do Carangola, 24 de Maio e Independência.
Em Teresópolis, cinco comunidades seriam alvo de disputas pelas três facções. Em Campos, o TCP controla o tráfico na favela Tira-Gosto e a ADA, a comunidade da Baleeira.