O plenário do Senado rejeitou há pouco por 33 votos contrários e 31 favoráveis e duas abstenções, a Medida Provisória que proíbe o funcionamento das casas de bingos e máquinas de caça níqueis no país. Os senadores rejeitaram a relevância e a urgência da matéria, condições essenciais para validar a MP. Com isso, a MP foi arquivada e o funcionamento dos bingos volta a ser permitido no país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não considerou uma derrota do governo, mas de toda a sociedade, a decisão do Senado Federal de arquivar a Medida Provisória que proibia o funcionamento de casas de bingos e caça-níqueis em todo o país. "A derrota foi da sociedade, que tinha e tem interesse em coibir certos tipos de jogos de azar como caça-níqueis que, além de viciar, retira da população mais pobre parte dos seus rendimentos. O governo não se sente derrotado, nem o presidente poderia se sentir derrotado, porque vai dar prosseguimento ao esforço para coibir e reprimir esses tipos de jogos no país", disse o ministro de Coordenação Política, Aldo Rebelo.
Segundo o ministro, o governo já estuda medidas para evitar o funcionamento dos bingos no Brasil, que estão sendo articuladas pelo Ministério da Justiça, Advocacia Geral da União e Casa Civil. Aldo Rebelo garantiu que nenhuma ação, nem mesmo a edição de uma nova Medida Provisória sobre o tema, está descartada pelo governo neste momento. Mesmo diante da primeira grande derrota sofrida pelo governo no Congresso, o ministro minimizou a votação e disse que ela foi "circunstancial". Na avaliação de Aldo Rebelo, os bingos já estavam proibidos de funcionar por determinação de legislação federal. "O prejuízo é parcial, porque os bingos já são proibidos no Brasil", esclareceu.
Aldo Rebelo também saiu em defesa dos senadores da base aliada do governo no Senado. Segundo ele, não houve um "cochilo" que favoreceu a derrota da MP em plenário. O ministro disse que alguns parlamentares, como o líder do governo Aloízio Mercadante (PT-SP), tiveram que se ausentar de Brasília por problemas pessoais. "As lideranças do governo tentaram evitar que a votação acontecesse hoje em função de ausências. O senador foi obrigado a viajar por motivos de falecimento de um ente muito próximo da família, mas o PFL e o PSDB venceram a proposta de continuar a votação", justificou.
Ele admitiu que o governo tem um histórico de grandes e importantes vitórias no Congresso, este ano, e que teria maioria em condições normais para aprovar a MP no Senado. "O governo tem demonstrado eficiência em sua base em todos os projetos que apresentou até hoje. Qualquer governo pode ver uma medida de interesse do país derrubada", afirmou.
A intenção do governo é, segundo Aldo Rebelo, reduzir a edição de Medidas Provisórias para garantir a aprovação de seus projetos mais relevantes. "Algumas MP´s são necessárias e urgentes. Temos o compromisso de tentar reduzir, para facilitar a tramitação das MP´s já existentes e dos projetos de interesse do país", concluiu.