Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

MP busca solução para invasão de ONG por índios em Curitiba

Quarta, 22 de Abril de 2009 às 07:27, por: CdB

Uma audiência marcada para esta quarta-feira, no Ministério Público Federal (MPF), vai buscar uma solução para pôr fim à invasão, na tarde da última segunda-feira, da sede da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Reimer, em Curitiba, por um grupo de cerca de 20 indígenas do interior do Paraná. Eles mantêm reféns três funcionários e o presidente da organização não-governamental, Eduardo Zardo.

Os índios querem a liberação imediata de R$ 1,6 milhão, valor referente a última parcela do mês de dezembro de 2008, destinada a programas de saúde de 46 aldeias paranaenses, onde vivem aproximadamente 12 mil indígenas. A Reimer administra a verba, repassada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), e é responsável pela distribuição de medicamentos e compra de alimentos que combatem a desnutrição infantil nas aldeias.

O cacique Neoli Olíbio, da aldeia kaingang Boa Vista, no município de Laranjeiras do Sul, disse à Agência Brasil que um impasse burocrático entre Funasa e a ONG atrasou a liberação da verba. Com isso, segundo ele, os fornecedores estão sem receber desde o começo do ano e médicos, enfermeiros e agentes de saúde também estão com salários atrasados.

– Pessoas que tomam medicamentos de uso contínuo estão com sérios problemas de saúde – disse o cacique.

Ele disse que há suspeitas de que a associação desviou recursos da Funasa, o que deverá ser apurado pelo MPF. O presidente da associação alega que o repasse dessa parcela não foi feito pela Funasa, que ainda analisa os relatórios técnicos enviados para prestação de contas.

De acordo com o coordenador da Funasa no Paraná, Geraldo de Castro, a documentação analisada até agora apresentou “sérias deficiências” e foi enviada ao departamento competente do órgão, em Brasília. Para ele, a ONG deveria ser questionada sobre a aplicação da parcela de R$ 4,2 milhões do convênio, repassada em agosto do ano passado.

– Deveriam mostrar, inclusive para a imprensa, para serem transparentes, os extratos de como esses recursos foram utilizados, qual foi a finalidade do convênio – declarou.

De acordo com Castro, há muitas informações contraditórias. O cacique Neoli Olíbio disse que ainda virão mais indígenas do interior para reforçar a mobilização. Segundo ele, o grupo vai permanecer nas dependências da associação, de forma pacífica, até que uma solução seja apresentada.

– Na sexta-feira, termina o contrato dessa ONG com a Funasa e assume outra instituição, o Projeto Rondon, temos que estar com tudo esclarecido – disse.

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