Rio de Janeiro, 16 de Fevereiro de 2026

MP acusa delegado de receber R$ 50 mil de traficantes

Sexta, 07 de Setembro de 2007 às 10:56, por: CdB

Cinqüenta mil reais foi o preço pago por uma quadrilha para livrar da prisão em flagrante três acusadas de tráfico de drogas. Segundo denúncia apresentada na última quinta-feira pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público Estadual, à 8ª Vara Criminal de São Paulo, a propina foi pedida pelo delegado Antônio dos Santos, que trocou sua escala de plantão com um único objetivo: fazer o acerto com os bandidos.

Santos começou a carreira na polícia em 1974, como investigador. Era chefe de uma das equipes de plantão do 95º Distrito (Heliópolis) quando o Serviço Reservado da Polícia Militar começou a investigar o traficante Élson Andrade dos Santos, o Zica.

Os PMs vigiavam uma casa na Vila D. Pedro II, no Ipiranga, zona sul, usada pela quadrilha de Zica quando, na noite de 7 de abril de 2006, abordaram um carro que deixava o local com 100 quilos de maconha. Alessandro Rodrigues Teixeira e Maria Larissa de Souza estavam no Uno branco com a droga embalada em caixas de papelão.

Em seguida, os PMs entraram no imóvel, onde foram detidas Sandra Aparecida Loschiavo de Araújo, dona do imóvel, e uma mulher conhecida como Cristina. Os policiais acharam duas balanças de precisão, usadas para pesar a droga, vestígios de cocaína e de maconha.

Tudo foi recolhido e levado ao 95º Distrito, onde seria feito o auto de prisão em flagrante por tráfico de entorpecentes. Mas, em vez disso, os policiais foram surpreendidos pela decisão do delegado de transformar a dona da casa em testemunha, soltar Cristina sem nem mesmo identificá-la e considerar Maria vítima de Alessandro Teixeira, o único acusado autuado por tráfico de drogas.

O caso teria ficado apenas na desconfiança dos PMs se o líder do bando, Zica, não estivesse sendo monitorado em uma outra investigação sobre tráfico de drogas em uma cidade no interior do Estado. Num telefonema grampeado, Zica e um comparsa comentaram como fizeram para livrar as três mulheres. Dizem que pagaram 'cinqüentão' para o delegado. "Não foi pra militar não foi pra civil."

A Corregedoria da Polícia Civil abriu inquérito. Os PMs e outras testemunhas foram ouvidas e confirmaram a libertação das acusadas. A investigação foi concluída há um mês. Com a denúncia a cúpula da Polícia Civil decidiu afastar preventivamente o delegado.

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