Rio de Janeiro, 17 de Abril de 2026

Movimentos sociais vão lançar programa alternativo de governo

Entidades reunidas na Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), afirmaram neste domingo que, em vez de apoiar um candidato nas eleições presidenciais de outubro, lançarão um programa de governo alternativo apresentando à sociedade o ponto de vista delas sobre as propostas necessárias ao país. (Leia Mais)

Domingo, 23 de Abril de 2006 às 11:47, por: CdB

Entidades reunidas na Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), afirmaram neste domingo que, em vez de apoiar um candidato nas eleições presidenciais de outubro, lançarão um programa de governo alternativo apresentando à sociedade o ponto de vista delas sobre as propostas necessárias ao país.

A decisão foi divulgada durante a Plenária Nacional dos Movimentos Sociais, evento da CMS integrante do 2º Fórum Social Brasileiro, que será encerrado hoje.

Segundo Gilson Reis, da direção nacional da CUT, a idéia é realizar uma grande marcha dos movimentos a Brasília em junho, para divulgar o documento. E marcar a oposição à atual política econômica, anunciada publicamente, segundo os movimentos, na Carta ao Povo Brasileiro, divulgada pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2002.

- Essa carta, na verdade, não era destinada ao povo brasileiro, mas ao sistema financeiro - diz Gilson Reis.

João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, explica que "esse programa não é para fazer disputa eleitoral - o objetivo central das ações dos movimentos sociais é pensar ações de longo prazo". E acrescenta:

- Nós queremos que os candidatos tenham claro o que nós pensamos sobre temas como a política econômica e a educação.

A "nova carta" está em debate na plenária dos movimentos sociais, hoje, e uma versão preliminar deverá ser apresentada na terça-feira (25) em São Paulo, segundo Gilson Reis. A Agência Brasil teve acesso ao documento, que se divide em tópicos como "soberania nacional", "mais democracia" e "mais direitos".

Entre as mudanças defendidas na política econômica estão o estabelecimento de metas de crescimento (em contraponto às metas de inflação) e a realização de auditorias nas dívidas interna e externa.

Além de avanços nos direitos sociais, também são colocados como pontos centrais da carta a realização de uma reforma política, a ampliação da democracia direta e a democratização dos meios de comunicação. No campo da política externa, está a oposição à ampliação do livre comércio, em particular o veto total à criação da Àrea de Livre Comércio das Américas. A carta ainda pede o aprofundamento das ações de solidariedade com o Haiti.

Segundo Antonio Carlos Spis, da direção nacional da CUT, individualmente as entidades que divulgaram o documento poderão declarar apoio a um ou outro candidato às eleições presidenciais. Entretanto, o conjunto dos movimentos sociais é que vai sustentar a plataforma. "A CUT e os petroleiros gostariam de entregar esse documento ao presidente Lula. Mas, no conjunto das entidades, não existe consenso sobre isso", acrescentou.

Tags:
Edições digital e impressa