As entidades que integram a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS-MS) vão reunir a imprensa do país e do exterior, nesta quinta-feira, para denunciar a situação de abandono e risco de vida que os índios e índias da área Ñande Ru Marangatu passam após serem despejados em Antonio João. Entre os movimentos que integram o encontro estão o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Centro de Defesa dos Direitos Humanos - Marçal de Souza (CDDH), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Conselho do Índio (Cedin), o Movimento Consulta Popular, e a Federação dos Trabalhadores em Educação (Fetems), entre outros.
Uma das ações que a CMS de Mato Grosso do Sul estará liderando, nesta quinta, será uma campanha de solidariedade às 700 famílias guarani-kaiowá. Além de organizar a pressão junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo urgência no julgamento do Mandado de Segurança que questiona a homologação da terra Ñande Ru Marangatu. Os principais líderes da CMS também solicitaram audiência com o secretário de Estado de Segurança Pública, Antonio Braga, para exigir segurança às crianças, mulheres, idosos, uma vez que neste período de festa e que a sociedade estará mais afastada do caso, não haverá garantia da vida daquela população.
- O despejo das famílias indígenas da área homologada em março deste ano pelo presidente Lula foi um retrocesso no processo democrático do País e por isso os movimentos sociais e populares convocam todo povo sul-mato-grossense para também se indignar frente a mais esse ataque contra quem realmente constrói este país - disse um dos líderes da CMS.
A instituição divulgou, nesta quarta-feira, para todo o país, uma carta de repúdio à situação de violência e opressão sobre o povo de ñanderu marangatu.
Leia na íntegra o documento:
Carta sobre Ñande Ru Marangatu
"Em face da recente expulsão dos indígenas Kaiowá Guarani de sua terra denominada Ñande Ru Marangatu localizada no município de Antonio João-MS, cuja demarcação definitiva da terra foi homologada em 23 de março deste ano pelo Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, vimos pela presente manifestar o que segue:
"A expulsão de um povo indígena de uma terra que foi homologada pelo Presidente, veio a causar uma profunda indignação na comunidade brasileira e internacional, se consubstânciando em um verdadeiro retrocesso na busca de uma solução definitiva para os graves problemas que afligem os povos indígenas no Brasil e principalmente no Mato Grosso do Sul, descumprindo-se por completo as determinações da Constituição brasileira.
"Referida decisão de expulsão, proferida pelo Poder Judiciário Federal de Ponta Porã e mantida pelo Tribunal Regional Federal da 3º Região, bem como a liminar de suspensão da homologação dada pelo Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, se traduz num ato de extrema brutalidade em face de uma realidade como a do estado do Mato Grosso do Sul, onde dos 36 homicídios ocorridos contra indígenas em nível nacional, motivados por conflitos agrários, 24 foram cometidos somente aqui.
"Além da violência, foi amplamente denunciado pelo Brasil e o mundo quanto a morte de crianças indígenas por desnutrição em níveis comparados à de países africanos assolados pela guerra! Vale destacar que, após a explusão em Antonio João, já houve a primeira morte de uma criança indígena de 01 ano no acampamento.
"As mortes causadas pela fome são resultado da falta de terra necessária para que um povo indígena extremamente numeroso, confinado em espaços absurdamente pequenos, possa sobreviver conforme seus usos e costumes tradicionais.
"Da expulsão dos mais de 700 Guarani Kaiowá de sua terra tradicional identificada e homologada em 9 mil hectares, sendo que ocupavam apenas 1 mil e trezentos hectares, para simplesmente "jogá-los" em uma área de 26 HECTARES,