Movimentos sociais e grevistas dão novo perfil a protestos, segundo especialistas
De acordo com especialistas ouvidos pela agência britânica de notícias BBC, a atual movimentação organizada nas ruas é marcada por uma dobradinha entre movimentos sociais e sindicatos, e parece ter comandos e pautas mais definidos - apesar da eventual participação de grupos de tendência mais anarquistas, como os organizados em torno dos atos #NãoVaiTerCopa.
Somos todos metroviários', gritavam os ativistas nas passeatas de segunda-feira em São Paulo
De acordo com especialistas ouvidos pela agência britânica de notícias BBC, a atual movimentação organizada nas ruas é marcada por uma dobradinha entre movimentos sociais e sindicatos, e parece ter comandos e pautas mais definidos - apesar da eventual participação de grupos de tendência mais anarquistas, como os organizados em torno dos atos #NãoVaiTerCopa.
Nas manifestações ocorridas na segunda-feira, os sindicalistas do Metrô ganharam o apoio de diversos movimentos sociais. A intenção dos ativistas era transformar a causa salarial de uma categoria em um protesto geral, nos moldes dos ocorridos durante a Copa das Confederações.
- Somos todos metroviários - gritavam os ativistas. Contudo, o recente protesto nas ruas do centro de São Paulo não reuniu as multidões presentes nos atos do ano passado.
A greve do metroviários ganhou a solidariedade de movimentos sociais como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), e ganhou corpo com a participação de outros grupos, em boa parte graças, segundo especialistas, à internet.
- Se antes o movimento era amplo e difuso, e tinha uma pauta variada, o movimento atual é direcionado. É uma organização tradicional vitaminada pelas redes sociais - disse à BBC o sociólogo Paulo Baía, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
- E nós teremos Copa e teremos manifestações. Os movimentos sociais vivem de oportunidades políticas e a Copa é o grande momento de visibilidade para esses grupos - diz.
Reorganização dos movimentos
Para Rafael Alcadipani, cientista social da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, "os protestos de 2013 ocorreram sem que houvesse qualquer expectativa. Já o movimento atual já era esperado".
Alcadipani concorda que o perfil dos movimentos que ganharam força nos últimos dias é mais tradicional, citando os metroviários, professores e funcionários públicos e de universidades.
Para Alcapadiani, a novidade da atual movimentação não é em relação aos protestos do ano passado em si, mas à própria configuração política desses movimentos.
- Boa parte dos movimentos de hoje são uma dissidência do petismo. Os movimentos sociais têm no geral uma ligação umbilical com o PT. Quando o partido entrou no governo, muitos acabaram cooptados. Mas o que vemos hoje são movimentos que perceberam que podem ganhar mais fazendo oposição ao governo do que caminhando junto com ele - diz.
Alcapadiani cita especificamente o MTST, que diferente do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e da CUT (Central Única dos Trabalhadores), faz oposição ao governo petista.
Diferente de Baía, Alcapadiani crê que os movimentos podem arrefecer durante o Mundial, diante da "crescente repressão" aos protestos, diz.
- O protesto virou o grande temor da segurança pública da Copa. O governo se ampara nas forças militares, da polícia, para amedrontar esses movimentos - diz.
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