Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

Movimentos repudiam repressão contra 700 famílias sem teto em Jujuy

Sexta, 29 de Julho de 2011 às 12:19, por: CdB

Às 6horas da manhã de ontem (28), cerca de 700 famílias sem teto que ocupavam umterreno no departamento argentino de LibertadorGeneral San Martin, província de Jujuy, foram desalojadas violentamente. A polícia utilizou balas e gáslacrimogêneo, matando os sem teto Félix Reyes e Esteban Mendez, além de um policial.Cerca de trinta pessoas ficaram feridas, inclusive mulheres e crianças – duasem estado grave. Até o momento foram registradas quatro mortes.

Para expressar repúdio ao fato, movimentosrealizaram manifestação hoje pela manhã, em frente ao obelisco, em BuenosAires. Participaram Corrente Classista e Combativa (CCC), que organizava asfamílias, Central de Trabalhadores da Argentina (CTA), Confederação Nacional deDocentes Universitários (Conadu Histórica), Associação Gremial Docente daUniversidade de Buenos Aires (AGD-UBA) e Associaçãoem Defesa da Liberdade e dos Direitos do Povo (Liberpueblo). Asorganizações exigiram investigação e sanções para os culpados pelos crimes.

As famílias ocupavam há uma semana um terrenode 15 hectares, pertencente à empresa Ledesma S.A., principal proprietáriode terra do lugar, detendo 157.556 hectares. Segundocomunicado da organização Tupaj Katari, os sem teto negociavam o terreno hácinco anos e resolveram ocupá-lo porque a intendência do departamento de Libertador General San Martin e o empresário Blaquier, da empresaLedesma, descumpriram acordo de cessão das terras.

A ordem de desalojamento foi expedida pelajuíza Peres Rojas às seis horas da manhã, e a polícia começou a agir quando asfamílias ainda dormiam. De acordo com Tapaj Katari, foram quatro horas derepressão.

Três horas depois do desalojamento,haveria uma reunião para chegar a um consenso sobre as terras, da qualparticipariam as famílias, município e diretores da empresa Ledesma S.A.

A Corrente de Organizações de Base (COB) LaBrecha, também em comunicado, denuncia que tiros foram disparados contra asbarracas, causando incêndios e ferindo, com balas, bebês e crianças.

Além das 700 famílias sem teto, moradores de outrosbairros também sofreram repressão, pois saíram às ruas para protestar contra atruculência da polícia e apoiar a ocupação.

Segundo a COB, cálculosdemonstram que apenas 40 hectares de terra seriam suficientes para resolver oproblema da moradia no departamento.

Históricorepressor

De acordo com os movimentos sociais,a empresa Ledesma, controlada pela família Blaquier, apresenta longo históricode repressão aos trabalhadores e comunidade, desde o final do século XIX,quando se instalaram no local.

De início, matavam os trabalhadoresdos engenhos de cana de açúcar quando ousavam protestar contra as condições detrabalho. Durante a ditadura militar (1976-1983),a família foi autora da "noite do apagão”, quando delegados de base forammortos. Atualmente, continuam explorando os trabalhadores, contaminam o povo econcentram terras.

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