O Movimento Nacional Campesino Indígena da Argentina (MNCI) lançou uma nota de repúdio, no último dia 3, contra os acordos e declarações realizados pelos países do G20, dados como possíveis soluções para acabar com a crise alimentar que afeta o mundo, quando a própria Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO – por sua sigla em inglês) tem dados suficientes para mostrar que a questão da fome não está ligada à produção de alimentos, mas à forma de como é produzido, quem e como é distribuído.
"A única saída para a crise alimentar e climática é o fortalecimento da agricultura campesina e familiar, única garantia de produção de alimentos sadios e suficiente para sustentar o sistema de mercado local dinâmico e justo, com intervenção estatal. O Brasil tem sido um claro exemplo com seu Programa Fome Zero, realizado entre governo, movimentos de agricultores familiares campesinos e consumidores urbanos como sujeitos ativos”, afirma trecho do comunicado assinado pelas entidades campesinas.
O documento também faz referência às declarações da comunidade científica que fortalecem a discussão sobre o modo de produção capitalista, e não acreditam que o G20, grupo formado por 19 países que possuem as maiores economias do mundo mais a União Européia, seja espaço legítimo para discutir os principais problemas agrários mundiais. Isto porque existe ausência de países que, por exemplo, perderam sua soberania alimentar devido à revolução verde, projeto com o objetivo de aumentar a produção agrícola através do uso da engenharia genética, e a invasão de transnacionais e, em alguns casos, por meio de tropas militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).O comunicado cita a postura do Brasil e da Argentina que questionaram a aprovação da reforma da FAO dizendo que a mesma tem muitas informações que demonstram que o problema da fome não está na produção de alimentos, mas na forma como é produzido, quem e como é distribuído.
Afirmam ainda que cerca de 40% dos produtos produzidos em cadeia industrial se perdem, gerando desperdício, enquanto a via campesina familiar e agroecológica luta constantemente contra a fome.
A Argentina defende sua agricultura e quer rever sua posição acreditando que o debate deve ser ampliado envolvendo a Organização das Nações Unidas (ONU), a FAO, e crendo que outros mecanismos devem ser criados para congelar o aumento dos preços dos alimentos.
O documento afirma que a única solução para sair da crise alimentar e climática é garantindo o fortalecimento da agricultura campesina e familiar, únicos espaços onde a produção de alimentos está livre de agrotóxicos e impurezas.
"Não há maneira de estabelecer a justiça social sem soberania alimentar, e não é possível soberania alimentar com a moeda da agricultura industrial controlada por corporações transnacionais, finaliza o comunicado”.