Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2026

Movimentos realizam protesto por socialização da saúde e contra privatizações

Sexta, 01 de Julho de 2011 às 12:18, por: CdB

Em Porto Rico, quase 400 mil pessoas não têm condições de pagar um plano de saúde privado ou não se enquadram nas condições do governo para ter acesso à saúde gratuitamente, segundo o Movimento Socialista de Trabalhadores (MST). Para lutar contra este quadro, o MST e outros movimentos sociais realizaram hoje (1º) um protesto em frente às oficinas da Medical Card Systems – MCS, principal seguradora de serviços de saúde, em Hato Rey, na capital San Juan. Em comunicado, o MST considera que houve um "completo fracasso” na privatização da saúde e aponta as seguradoras, com altos lucros, como responsáveis pela situação. Na visão do movimento, a solução é "o desenvolvimento de um sistema de saúde socializado onde o acesso seja gratuito e de acordo com as necessidades”. O custeamento ocorreria por meio de impostos cobrados às camadas ricas e às grandes corporações. A privatização da saúde porto-riquenha teve início em 1993, com o então governador Pedro Roselló, que criou a Administração de Seguros de Saúde (ASES). À época, prometeu-se mais qualidade nos serviços de saúde com menor custo e a lei 72 elencou estratégias para cumprir esses objetivos. Dentre elas, a privatização da administração da saúde e do acesso aos serviços.

Segundo o porta-voz do MST, Delgado-Martí, Roselló vendeu hospitais regionais e grande parte dos Centros de Diagnóstico e Tratamento a preços muito baixos, "destruindo a espinha dorsal do sistema de saúde pública em Porto Rico”.

Com isso, os serviços diminuíram e perderam em qualidade, o que Delgado considera "um duro golpe à saúde da classe trabalhadora, em particular àqueles que trabalham sem benefícios secundários, como contribuição patronal aos planos médicos”.

Outro grave problema atrelado às privatizações são as denúncias públicas de médicos que não estão recebendo pagamento por parte das seguradoras, além dos pacientes que relatam falta de atenção médica, cobertura insuficiente do plano e serviços muito ruins.

Apesar do cenário de caos, os gastos com saúde aumentaram no país desde a privatização, segundo o também porta-voz do MST, Scott Barbés Caminero. "O gasto governamental em Porto Rico tem sido, nos últimos 10 anos, um dos mais altos em nível mundial. Porém, esse gasto não vem acompanhado de estatísticas similares no acesso à saúde, ou na diminuição de enfermidades, senão todo o contrário”, assinalou, acrescentando que os gastos governamentais elevados fazem com que os planos privados se tornem ainda mais caros, prejudicando os porto-riquenhos que os utilizam.

O Coletivo Indign[Acción], que também participou da manifestação, expressou rechaço à privatização da saúde por ser este um setor fundamental à população e exigiu mudanças. "(...) entendemos como justo e necessário que o governo de Porto Rico retome os hospitais privatizados pela passada administração passada de Rosselló e que devolva ao povo o direito de ter atenção médica”, declararam, em nota.

A organização repudia ainda outras privatizações no país, como a das rodovias, escolas públicas, da Universidade de Porto Rico (UPR) e do aeroporto.

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