Na Cidade do Panamá, movimentos populares, de mulheres, indígenas e afrodescendentes realizarão o Fórum Alternativo sobre Mudança Climática, nos dias 1 e 2 de outubro. O evento ocorre paralelamente à reunião interseccional de países membros do Convênio de Mudança Climática, acontecerá também no Panamá, durante a primeira semana de outubro.
A reunião interseccional pretende construir acordos para a XVII Conferência das Partes (COP17) da Convenção sobre Mudança Climática das Nações Unidas, que acontecerá em Durban (África do Sul), tendo início na última semana de novembro. Os países discutirão o Protocolo de Kyoto e ações de cooperação em longo prazo.
Neste sentido, o objetivo do Fórum Alternativo é levantar a voz dos movimentos e organizações sociais em contraposição às "soluções” para a mudança climática apresentadas pelo Convênio de Mudança Climática.
"Consideramos que estes processos oficiais têm sido ineficientes, e longe de encontrar soluções à crise climática, estão sendo instrumentos para as grandes corporações, organismos multilaterais, entre outros”, declaram.
A partir dos debates, enfatizam a necessidade de que "se promova e constitua uma plataforma dos povos vítimas da mudança climática, onde suas decisões sejam o produto consensuado entre os estados e não das Instituições Financeiras internacionais”.
Na programação, o Fórum Alternativo terá painel sobre mudanças climáticas, crise sistêmica e construção de alternativas desde os povos; discussões em mesas de trabalho temáticas; e troca de experiências. No segundo dia, haverá Assembleia dos Povos, apresentação de experiências de lutas, testemunhos e, pela tarde, leitura e aprovação de resolução final do evento.
Os movimentos aproveitam o momento e chamam a atenção para a realidade sócio-ambiental do Panamá, em que grandes projetos são levados a cabo, em detrimento dos direitos humanos e causando criminalização de ativistas.
"O Estado panamenho, especialmente durante os últimos meses, tem tomado decisões a respeito de políticas públicas, normas e autorizações de grandes projetos extrativos e de infraestrutura, ignorando sistematicamente o marco internacional e nacional aplicável, que inclui o direito internacional dos direitos humanos. Isso se agrava ainda por uma legislação frágil na proteção adequada do ambiente e das comunidades afetadas”, denunciam.
Uma mostra da postura negativa dos governantes panamenhos está no fato de que o país foi um dos primeiros a apoiar o programa Redução de Emissões e Desmatamento (REDD) como Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) sem ampla discussão com a sociedade, segundo os organizadores do Fórum Alternativo. Faltou divulgação e participação cidadã até para a reunião interseccional, apontam.
O Fórum Alternativo sobre Mudança Climática ocorrerá no Campus Universitário Harmodio Arias Madrid, na Universidade do Panamá, Cidade do Panamá.