Por Camila Queiroz, jornalista da ADITAL 11/05/2011 às 19:31
O projeto da hidrelétrica Hidroaysen tem gerado muitas expressões de rechaço na sociedade chilena. Hoje (9), data provável para a aprovação da Resolução de Qualificação Ambiental apresentada pela Comissão de Avaliação Ambiental da região de Aysén (CEA, na sigla em espanhol), a campanha Patagônia Sem Represas realizará a Grande Marcha Cidadã NÃO a Hidroaysén, às 19 horas, saindo da Praça Itália.
"Porque nossa voz deve ser escutada, a cidadania deve sair com força e entusiasmo, mas também com responsabilidade e seriedade. Nossas atividades, manifestações e marchas sempre foram pacíficas e devemos manter esse selo inconfundível até o final?, declararam os organizadores da campanha.
A autorização para a construção da hidrelétrica está cercada de contrariedades ambientais. De acordo com a Rádio Universidade Chile, o Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin) teria omitido, no pronunciamento sobre o adendo 3 da Hidroaysén, pontos relevantes das observações técnicas realizadas por sua própria equipe de especialistas. As omissões foram descobertas a partir de um pedido de inquérito administrativo.
Dentre as irregularidades, a escala inapropriada para o aterro sanitário do projeto e a falta de uma linha base completa, necessária para estabelecer parâmetros de comparação das qualidades químicas das águas, antes e depois do início das obras da hidrelétrica.
Com relação às diferenças entre o ofício nº494 de Solicitação de Avaliação do Estudo de Impacto Ambiental do projeto e as observações da equipe de profissionais emitidas no Memorandum nº 33, no último dia 21, destaca-se que as omissões são uma constante nos Serviços Públicos, "onde as autoridades superiores de cada instituição têm feito caso omisso da opinião técnica de seus próprios quadros profissionais, impedindo uma avaliação ambiental ajustada a parâmetros estritamente técnicos, modificando com descaramento o conteúdo dos pronunciamentos por eles emitidos, como já se denunciou publicamente nos casos de Conaf e Minvu?.
O economista e diretor do Instituto de Economia da Universidade Austral do Chile, Manfred Max Neef, também expressou seu rechaço ao projeto. Por meio de uma carta, ele questiona o presidente chileno, Sebastián Piñera, sobre os graves impactos ambientais que a hidrelétrica trará.
Neef aponta o incômodo de grandes máquinas com o qual as comunidades terão de conviver por dez ou doze anos, além dos milhares de trabalhadores de fora, "destruindo e devastando seu entorno, sua cotidianidade, seus costumes e sua tranquilidade familiar?, cita.
Além disso, uma linha de transmissão de 2.300 quilômetros, com torres de 70 metros de altura a cada 400 metros, fragmentaria seis parques e 11 reservas nacionais, 26 sítios prioritários de conservação, 16 zonas úmidas e 32 áreas protegidas privadas. Para instalar as torres, Neef lembra que será necessário desmatar cerca de 23 mil hectares, área quatro vezes maior do que a que será inundada pelas represas.
O economista cita ainda os problemas encontrados no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e considera que houve "mentiras, desqualificações e adulterações de todo tipo?, como o fato de o governo afirmar que as represas e a linha de transmissão são projetos diferentes.
De acordo com pesquisas da Ipsos (companhia de pesquisas) realizadas em abril deste ano, 61,1% dos chilenos rejeitam os projetos.
Com informações de El Ciudadano e Rádio Universidade Chile
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