Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Movimento Popular lembra Massacre de Changuinola e avalia gestão de Martinelli

Segunda, 04 de Julho de 2011 às 12:38, por: CdB

No dia 2 de julho de 2010, indígenas, trabalhadores e sindicalistas de Changuinola, cidade de Bocas del Toro, no Panamá, iniciaram uma greve que marcaria o governo de Ricardo Martinelli, presidente do país. Os manifestantes pediam a derrogação da Lei 30 quando foram fortemente repreendidos por agentes estatais. O episódio, conhecido por "Massacre de Changuinola”, foi lembrado pelo Movimento Popular Unificado (MPU-PAP) em um balanço dos dois anos de governo de Martinelli.

"Nada reflete mais fielmente o produto destes dois anos de gestão de Ricardo Martinelli e sua Aliança pela ‘Mudança' que o fato de comemorar o primeiro aniversário do Massacre de Changuinola, no qual milhares de humildes trabalhadores bananeiros, em sua maioria indígena gnobes-buglés, foram submetidos à pior repressão realizada pela polícia nacional nestes 20 anos de regime ‘democrático'”, afirmou.

Para o Movimento, Martinelli representa a continuação das políticas neoliberais promovidas pelos governos passados, ou seja, prossegue com modelos econômicos que prejudicam a maior parte da população panamenha. "Nestes dois anos, o governo presidido por Martinelli não só tem demonstrado ser ‘mais do mesmo', mas também tem levado até suas últimas consequências os piores vícios de um regime político assinado pelo presidencialismo, a corrupção ascendente, a perseguição, a coação, a venalidade, o uso do tesouro público para o enriquecimento pessoal, o desvio do pouco que as democráticas instituições panamenhas possam ter”, destacou.

Na avaliação de MPU, o "crescimento econômico” divulgado pelo governo panamenho, baseado nas exportações, nos serviços portuários e na construção, não mostra a verdadeira situação do país. De acordo com o Movimento, Panamá enfrenta uma realidade de alto endividamento público e de concentração da riqueza nas mãos de poucos. O grupo ainda chamou atenção para o investimento do mandatário panamenho nas forças armadas. Investimento que passa apenas pela melhoria dos salários e equipamentos policiais, sem uma qualificação para os profissionais.

Por conta desse quadro, os integrantes do Movimento Popular Unificado aproveitaram as celebrações dos dois anos do mandato de Martinelli para convocar a sociedade para formar uma "Frente Popular e Democrática” que promova uma mudança no modelo imposto pelo atual mandatário do país. "Devemos desde já nos organizar para mudar o modelo econômico, para exigir uma Assembleia Constituinte e uma verdadeira reforma eleitoral que dê o poder de decisão ao povo e o tire das mãos daqueles que conduzem o país ao abismo”, chamaram.

Massacre de Changuinola

A Assembleia Nacional do Panamá aprovou a portas fechadas, no dia 12 de junho de 2010, a Lei 30, também chamada Lei Chouriço, a qual, entre outras medidas, limitava o direito à greve, à liberdade sindical e violava os direitos ambientais. Contrários a essa Lei, indígenas, trabalhadores e sindicalista de Changuinola resolveram iniciar, no dia 2 de julho do mesmo ano, uma greve pela sua derrogação.

A resposta do Estado foi a repressão, que se agravou no dia 7 do mesmo mês. De acordo com informações do Movimento Popular Unificado, o episódio resultou em quase 500 pessoas feridas por balas e perdigotos - 50 delas ficaram cegas parciais ou totais -, dez morreram e dezenas foram detidas.

Por conta dos protestos populares, em outubro do ano passado, derrogaram-se os pontos da Lei questionados pela população, como a restrição do direito à greve dos trabalhadores, à realização de convenções coletivas e à cota sindical.

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