Bob Geldof quer convencer o mundo a ajudar a África com seus concertos Live 8, em julho, e milhares de pessoas farão manifestações na Escócia quando líderes dos países mais ricos do mundo estiverem lá para uma cúpula.
Mas céticos dizem que as palavras fortes do roqueiro irlandês Geldof e os objetivos da campanha Make Poverty History, que conta com o apoio dele para combater a miséria na África, só conseguirão provocar frustração.
-Há uma enorme diferença entre as expectativas criadas para esta cúpula e a realidade política- disse Tom Cargill, um analista da seção África do Real Instituto de Assuntos Internacionais, de Londres.
-Geldof se considera o messias africano. Ele acredita que a força da sua personalidade e retórica fará os líderes do G8 mudarem de idéia. Mas isso não vai acontecer. O risco é que a campanha se transforme em frustração.
Em um continente sufocado pela dívida, onde milhões vivem na pobreza, a expectativa de vida é de apenas 46 anos e a incidência de Aids entre adultos é a maior do mundo, ajuda é algo urgente e vital - e Geldof acredita que consegue garantir tal ajuda.
-Tenho a impressão de que podemos nos unir outra vez, mas desta vez não é por caridade, e por justiça política - disse ele ao anunciar a realização dos cinco gigantescos concertos Live 8 em várias partes do mundo no dia 2 de julho. Há 20 anos, Geldof foi um dos idealizadores do LiveAid, do hit "We Are the World", cuja renda foi destinada aos famintos da Etiópia.
O Make Poverty History (algo como "transforme a pobreza em história") é um amálgama de cerca de 300 agências humanitárias e grupos de pressão. Ele espera atrair mais de 100 mil pessoas para uma passeata em Edimburgo, capital da Escócia, no mesmo dia dos shows, ou seja, quatro dias antes do início da cúpula do G8 (grupo dos oito países industrializados mais ricos do mundo).
Outras entidades, como a Stop the War, G8 Dissent e G8 Alternatives, também planejam manifestações em Edimburgo e perto do famoso resort rural de Gleneagles, o vigiadíssimo local da cúpula.
MANIFESTAÇÃO
Na terça-feira, Geldof jogou lenha na fogueira ao convocar um milhão de pessoas para se manifestarem. Os manifestantes acreditam ter uma oportunidade única de atingir seus objetivos, porque o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, prometeu colocar o meio ambiente e a África no topo da agenda durante o ano em que será presidente do G8.
Mas, a poucas semanas da cúpula (que vai de 6 a 8 de julho), Blair enfrenta resistências a sua proposta de perdoar dívidas e destinar mais ajuda a países africanos.
-Deve-se incentivar as pessoas a se preocuparem com isso - disse John Weeks, da London School of Oriental and African Studies a respeito do movimento popular para convencer o G8 a fazer mais pela África.
Mas ele alertou que os manifestantes podem ser burlados por declarações bonitas que não serão seguidas por ações.
-Não vejo muita coisa saindo dos concertos, e o Make Poverty History vai descobrir que suas exigências podem ser acomodadas em palavras muito facilmente - afirmou.
Policiais e militares de toda a Grã-Bretanha serão deslocados para a segurança de Gleneagles durante a cúpula. O custo da operação deve superar 180 milhões de dólares. Operários estão erguendo uma gigantesca cerca de aço ao longo de 8 quilômetros em torno do local do evento, que tem campos de golfe mundialmente famosos.
Depois de aprender as lições com incidentes nas cúpulas do G8 em Gênova e Evian, a polícia garante que não buscará confrontos -- nada de jatos d'água ou balas de borracha -, mas garante que conterá manifestantes descontrolados.
-É quase uma mão de ferro em uma luva de veludo. Embora tenhamos muitos recursos de reserva, esperamos que as pessoas venham aqui e vamos facilitar seus protestos dentro da lei - disse o superintendente da polícia de Tayside, Craig Suttie.
Movimento musical contra G8 cresce, mas tarefa é difícil
Quinta, 02 de Junho de 2005 às 11:54, por: CdB