A principal reivindicação apresentada no 8º Seminário Nacional LGBT, realizado nesta terça-feira (17), em Brasília, é transformar em lei a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a união civil entre homossexuais. O evento marca as comemorações do Dia Internacional Contra a Homofobia e a luta contra o preconceito sexual no Brasil. Com alegria e lirismo, os homossexuais fizeram suas reivindicações aos parlamentares.O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), disse, logo após a interpretação do hino nacional pela cantora Vanessa Camargo: “a parte que eu mais gosto do hino é a que diz que ‘um filho teu não foge à luta’ e esse auditório demonstra que nós não fugimos a luta pela construção de um país democrático”. Wyllys é o primeiro homossexual assumido que conquista uma vaga na Câmara dos Deputados e coordena a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT) na Casa.
E, citando Caetano Veloso, ele disse ainda que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, e ninguém pode dizer, por nós, o que somos”. Para ele, o seminário pode dar força à tramitação de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de sua autoria, que prevê o casamento de pessoas do mesmo sexo. O objetivo é fazer com que o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e as garantias decorrentes dessa união saiam da esfera do Judiciário e ganhem força de lei.
A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputada Manuela d´Ávila (PCdoB-RS), destacou a alegria com que o movimento LGBT luta em defesa dos seus direitos. E saudou a todos os que participam, independente das diferenças partidárias, da luta pela igualdade: Wyllys, do Psol, a senadora Marta Suplicy, do PT de São Paulo e os deputados petistas Paulo Pimenta (RS) e Fátima Bezerra (RN).
Aliados importantes
Ela destacou ainda a participação das cantoras Vanessa Camargo e Preta Gil (foto), presentes ao evento, na luta contra a discriminação aos homossexuais. “A Vanessa Camargo e a Preta Gil são parceiras importantes na luta, precisamos de aliados da nossa causa. E elas têm a coragem, sem nenhum tipo de interesse, coragem da solidariedade”, disse Manuela.
Manuela também enfatizou a explicação dada por Wyllys de que a luta por direitos LGBT não inclui o casamento religioso entre homossexuais. Cada igreja, segundo ela, deve seguir suas regras, mas, na área cível, todos os cidadãos devem ter o mesmo direito.
O presidente da Comissão de Legislação Participativa, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que também apoia o evento, disse que “não queremos apenas que as pessoas sejam toleradas, queremos que elas sejam realmente respeitadas”, declarou.
Para a senadora Marta Suplicy, é preciso ter perseverança e paciência para derrubar um preconceito histórico. “Estamos avançando na luta até conseguirmos a conquista”, afirmou, citando a decisão do STF como a maior conquista para homossexuais nesse país. E destacou que “ela não veio de graça, todos esses anos, a militância foi recorrendo as leis até que o dia chegou a resposta”.
Homofobia, chegou a sua hora
O presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros, Toni Reis, leu o abaixo-assinado com cerca de 100 mil assinaturas em apoio ao Projeto de Lei que criminaliza os atos de homofobia. O documento foi entregue à presidente em exercício da Câmara, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), e ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
Após a leitura do documento, Toni Reis, que estava acompanhado do companheiro, o norte-americano David Harrad, com quem casou após autorização judicial, disse que com a decisão do STF “ninguém perdeu, nenhuma religião, nenhum cidadão, só quem perdeu foi a homofobia”. E ao final puxou as palavras de ordem que pontuaram o evento: “Homofobia/ Homofobia fora/Já chegou a sua hora”.
Aprovado na Câmara em 2006, o projeto tramita na Comissão de Direitos Humanos do Senado. A votação estava prevista para a semana passada, mas foi adiada por pressão da bancada evangélica.
Outros temas
Além do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e a criminalização da homofobia, o evento, que acontece durante todo o dia, discute também políticas públicas LGBT e a imagem dos LGBT na sociedade.
Participam dos debates com os parlamentares, representantes do governo e da sociedade civil, além das cantoras Preta Gil e Wanessa Camargo, o ator Leonardo Miggiorin. Entre os convidados estrangeiros estão a deputada socialista portuguesa Ana Catarina Mendonça Mendes; e o autor do livro “Matrimonio Igualitário”, Bruno Bimbi, integrante da Federação Argentina de LGBTs.
De Brasília
Márcia Xavier
Movimento LGBT quer que decisão do STF se transforme em lei
Quarta, 18 de Maio de 2011 às 06:27, por: CdB