Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Movimento gay consegue reunião com Severino

Terça, 08 de Março de 2005 às 06:39, por: CdB

O presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE) receberá, em seu gabinete, 15 representantes de movimentos gays. O encontro será no próximo dia 16, às 15h30, e na pauta estão temas como casamento gay, inclusão de parceiros do mesmo sexo como dependentes em planos privados, cirurgia para alterar sexo e exclusão do crime de pederastia do Código Penal Militar.

Mesmo diante do conservadorismo de Severino, a intenção é convencer o chefe da Câmara a colocá-los em votação. Ele terá de enfrentar o que chama de seus ''princípios éticos'' e ''bom senso'' para abrir espaço, como presidente da Câmara e ''árbitro'', às reivindicações de gays, lésbicas, transgêneros, transexuais e bissexuais.

Colega de Casa e idealizador do encontro explosivo, o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) admite que Severino ''levou um susto'' quando ouviu, no plenário, a proposta para a reunião, mas logo aceitou. Gabeira está otimista. Entre os projetos em questão, chama a atenção para dois: o que prevê a união civil (1151/95), de Marta Suplicy (PT-SP), e outro, de Iara Bernardi (PT-SP), que prevê punição para quem discrimina homossexuais (5/03):

- A intenção é que, mesmo sendo contra, ele ponha em votação, como no caso das células-tronco. Severino disse que vai manter a posição de árbitro - afirma o deputado. 

A assessoria do presidente da Casa confirma: como deputado, ele é contra, mas no papel de chefe do Legislativo, é imparcial. Semana passada, contudo, reconheceu que fará ''de tudo para que o projeto não seja aprovado".

Secretário-geral da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros, que reúne 166 organizações, Toni Reis pretende levar a cautela como arma na luta contra o preconceito:

- O deputado tem as crenças dele e nós, as nossas - pondera, lembrando episódio de 1995, quando Severino teria lhe perguntado se sua preferência era ativa ou passiva.

- Respondi, na ocasião, que estava lá para falar sobre direitos coletivos, não pessoais. Ele deve ter alguma curiosidade - brinca Reis.
 

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