Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Movimento Farroupilha em Foco

Quinta, 26 de Maio de 2011 às 08:10, por: CdB

Por Raymundo Araujo Filho 26/05/2011 às 13:44

Em relação ao artigo A Guerra dos Farrapos e seus Lanceiros Negros Traídos, do prof. Hemerson Ferreira, publicado no CMI ( http://www.midiaindependente. org/pt/blue/ 2011/05/491544.shtml?comment=on#comment)...

...o considero um excelente relato histórico, que vi e comprovei em quinze anos de relações e vivências, digamos, íntimas com o Rio Grande do Sul, onde tenho muitos amigos e alguns desafetos - hoje, muitos bem aquinhoados em empregos públicos do PT ou fingindo fazer oposiç ão à esquerda ou à direita ao que está aí (mas só fingindo).

Tendo eu frequentado e passado bastante tempo na região descrita, Serro de Porongos, atual Pinheiro Machado, início da subida da serra gaúcha pelo lado do chamada Quarta Colônia, nas portas da depressão central e centro geodésico do RS, Santa Maria, estive muitas vezes e até residi próximo ao que foi descrito.

Portanto, um vasto planalto e a subida da serra gaúcha foram os cenários deste relato que coloca a verdade histórica no seu devido lugar.

É importante ressaltar o último parágrafo do relato do professor Hemerson Ferreira que, dois anos depois, para enfrentar as intenções expansionistas sobre a região do Prata, idealizada e liderada pelo sanguinário general Rosas, da Argentina, os Estancieiros Gaúchos, outrora conhecidos como líderes dos Farrapos, como diz o relato, aliaram-se às tropas do Império, e ainda tendo como comandados, alguns remanescentes dos Lanceiros Negros que, por sua vez, não se furtaram a mais este ato de submissão dos pobres aos ricos, tomados por um sentimento ?nacionalista? que, no fundo apenas defendeu interesses das elites.

Assim, já fui muito revoltado com as comemorações da data Farroupilha (20 de Setembro) pelo interior gaúcho, a meu ver nesta época, dissonante do que teria sido o movimento. É uma semana de festas e comemorações, todas reafirmando o "orgulho gaúcho" (uma espécie de "orgulho gay", mas focado na tradição gaúcha), culminando com um desfile de carros alegóricos pelas ruas das cidades do interior, cuja comissão de frente são os carros que levam em seu capô as Rainhas e as Princesas Farroupilhas, moças locais, eleitas em concursos mais bregas do que o de misses, e vestidas com aquela moda de época...de chita inglesa, que as esposas, filhas e amantes dos Estancieiros usavam, importadas da Inglaterra,a peso do suor de seus escravos. Além dos guapos vestidos de forma muito cuidadosa e exuberante com suas bombachas garrafeiro ou favo de mel, lenços vermelhos e camisas de linho branco com pregas e ombros fofos. Roupa que acho muito bonita (mas nunca me atrevi a usar), embora um pouco exibicionista, ao contrário das chitas inglesas, que são bregas prá chuchu.

Hoje, compreendo que estes desfiles e rituais cultuados pelos Centro de Tradições Gaúchas (CTGs - que se disseminam no rastro da destruição ambiental e mal costumes agropecuários, causados pelos gaúchos, emigrados de sua terra natal, pelo Brasil) na Semana Farroupilha nada mais são do que a reprodução do que aconteceu, por lá, na época.

Refiro-me, no parágrafo acima, ao fato de, enquanto os generais estancieiros faziam seus ?negócios de guerra?, com suas famílias muito bem resguardadas em suas Estâncias muito bem guarnecidas, os Lanceiros Negros e outros pobres locais, se esgueiravam pelas trilhas inóspitas das sangas e dos campos de batalha. Esta situação é representada pelas cavalgadas e condução das lamparinas acesas, em geral protagonizadas pelo setor mais popular, mas tão alienado quanto as elites, sobre a Farroupilha, com o revés de terem sido os únicos prejudicados, no conflito entre as elites, em que serviram de bucha de canhão, corroborando os belos versos de Vida de Gado (Zé Ramalho) ?Eh! Vida de Gado / Povo Marcado / eh! / Povo Feliz.

Penso que Giuseppe Garibaldi desempenhou papel digno nesta luta dos Farrapos, tendo retornado à Itália, agora acompanhado de sua bela Anita e seu lugar tenente André Aguiar, um negro, este sim um Revolucionário Brasileiro, que lhe acompanhou desde o Brasil. Mas, penso também que seu arroubo (de Garibaldi) anti imperial e a sua veia Republicana, o traiu por não perceber quem eram aqueles gaúchos a quem se aliou, pensando combater o Imperador D. Pedro I. Mas isso, não impediu que escrevesse bela página da história e a afirmação de um verdadeiro revolucionário em terras brasileiras, além de ter possibilitado o encontro de seu Amor, Anita Garibaldi, outra Revolucionária Brasileira, reverenciada em outros países, mas muito pouco por aqui.

No Brasil tudo é meia boca: Ter como referência de Republicanos em luta contra o Império Colonial, estes generais Farroupilhas, só podia dar no que deu, isto é, o Brasil de Lulla e DiLLma que são dois entreguistas com fama de nacionalistas e progressistas. Esta confusãoi, portanto, vem de longe. Cabe aos historiadores trabalharem para o fim desta compreensão distorcida sobre quem foram os generais Farroupilhas, no sentido de mostrar que uma Revolução, ou mesmo simples, mas substanciais, mudanças, não se fazem com ídolos, mas sim com organização e luta social protagonizada pelo Povo, e não pelo PoLLvo.

Abaixo, para ilustração, um link para o relato de Charles Darwin e seu encontro com o general Rosas, tendo o cientista acreditado, em um primeiro momento (depois autocriticado) estar perto de um homem digno e capaz.

O universo natual e dos costumes deste relato de Darwin são muito bons. O link é:  http://search.4shared.com/
search.html?searchmode=2&searchName=Darwin%2C+Charles+-+Encuentro+con+el+General+Rosas

P.S. - Mas, não há como negar, foram nestas plagas que fiz grandes amigos, alguns com noções históricas que considero muito mais emocionais do que históricas, e que considero pessoas muito legais.

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