Por Falha de SP 27/05/2011 às 23:29
Após militantes agendarem cerca de 12 manifestações na França, há indícios de que o movimento iniciado na Espanha com inspiração nas revoltas árabes pode vir a se tornar uma "Primavera Européia".
Ainda na terça-feira (24), organizadores dos protestos franceses disseram esperar que a indignação e as demandas por maior liberdade se espalhem pelo país.
"Nós nos mobilizamos em solidariedade aos jovens espanhóis, para seguir seu exemplo e defender nossa dignidade", disse Benjamin Ball, integrante do grupo "os desobedientes", que esta semana convocou concentrações similares em pelo menos doze cidades da França, de Nantes, Rennes, Paris e Clermont Ferrand a Bordeaux, Bayonne e Perpignan.
Já na noite desta terça-feira, em Paris 200 jovens se reuniram na praça da Bastilha.
Na esplanada da Ópera Bastilla, jovens mostraram cartazes com inscrições em francês, inglês e espanhol, que diziam "Povo de Paris, avante!" e "Democracia real!"
Um dos organizadores, Alex Merlo, declarou: "Estamos aqui para difundir o movimento espanhol, apoiá-lo e mostrar que é possível fazer o mesmo na França".
QUEIXAS
A queda do nível de vida, o desemprego, os planos de austeridade impostos aos cidadãos, os cortes de salários e a falta de representatividade dos principais partidos políticos são alguns dos fatores que desencadearam os protestos pacíficos espanhóis, semelhantes à "Primavera Árabe" de meses atrás, que foi gerada por condições mais extremas sob regimes autoritários.
"Esperamos duas coisas deste movimento: uma redefinição das regras democráticas e a convocação de uma assembleia constituinte, e uma distribuição de renda melhor porque vivemos na precariedade", disse Benjamin, de 26 anos, trabalhador autônomo que vive na periferia sul de Paris.
Com o título "Democracia real já!", o site em francês www.reelledemocratie.com indica que "desde a crise financeira de 2008, nossos governantes decidiram submeter os povos em vez de fazer os bancos pagarem".
"As democracias europeias foram sequestradas pelos mercados financeiros", indica o manifesto do grupo francês em palavras semelhantes às do manifesto da Porta do Sol, em Madri.
"Nos identificamos nas aspirações do povo espanhol", asseguram.
Uma "política participativa e cidadã" e sua rejeição "ao bipartidarismo e à corrupção política" exige em seu manifesto o movimento parisiense de apoio ao 15-M espanhol, mencionando a adesão de diversas ONGs.
"Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda foram atingidos em cheio pelas políticas antissociais da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional aplicadas na ausência de um debate democrático", indicou a ONG francesa ATTAC.
"OS INDIGNADOS"
"Os indignados" da Espanha e da França, inspirados no best-seller do ex-diplomata e resistente francês Stéphane Hessel, nascido em outubro de 1917, que desde a sua publicação em 2010 vendeu 3 milhões de exemplares, convocaram uma "grande" manifestação no próximo domingo na praça da Bastilha.
Segundo Benjamin Ball, o movimento atual aponta para uma "coordenação maior" entre as concentrações em Lisboa, Berlim, Londres e Roma.