Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Movimento de Libertação dos Sem Terra encerra contatos em Brasília pedindo mais atenção do governo

Sexta, 09 de Setembro de 2011 às 10:15, por: CdB

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) encerra hoje (9) uma série de contatos na esfera federal, depois de apresentar a várias autoridades uma extensa pauta de reivindicações de seus assentados e acampados, que somam 120 mil famílias distribuídas em dez estados. Partindo de Goiânia, eles iniciaram a marcha a Brasília no dia 20 de agosto, com o lema "Aperte a mão de quem te alimenta", e chegaram à capital federal na última segunda-feira (6).

Os militantes ficaram acampados no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, área central de Brasília.

"Os pequenos agricultores merecem atenção do governo, porque respondem por 70% de toda a produção agrícola no Brasil", diz José Francisco Moreira, um dos coordenadores do movimento e representante de assentados e acampados do estado de Minas Gerais. Segundo ele, os agricultores precisam do apoio do governo para "continuar produzindo frutas, legumes e verduras sem agrotóxicos".

No Dia da Independência, 7 de setembro, muitos dos militantes do MLST que vieram a Brasília juntaram-se aos participantes da Marcha Contra a Corrupção, que reuniu cerca de 25 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios.

A pauta de reivindicações que os trabalhadores apresentaram em Brasília inclui ainda apoio logístico para negociação do que produzem, a construção de moradias, dentro do Programa Minha Casa, Minha Vida, do Ministério das Cidades, inclusive para os filhos que se casarem; o fornecimento de energia elétrica pelo Programa Luz para Todos e acesso à internet para o homem do campo.

Ontem (8), representantes do movimento foram recebidos pelo secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que ficou de ter novo encontro com eles, depois ter uma resposta dos ministérios aos quais o MLST apresentou suas reivindicações.

José Francisco Moreira ressalta que o movimento "não tem fim lucrativo e que, por isso, se satisfaz até mesmo com a troca do que produz por outros gêneros, inclusive insumos". Os trabalhadores reclamam da concorrência do agronegócio, que usa agrotóxicos e acaba com muitos empregos, ao usar máquinas na agricultura. "Cada cidadão consome por ano 5,2 litros de veneno, que vêm das lavouras do agronegócio, responsável por 30% da produção agrícola no país". diz Moreira.

Ismael Costa, também coordenador do MLST, informa que o movimento pediu hoje ao ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, mais facilidades na concessão da aposentadoria rural para aqueles que não têm documentos. Segundo Costa, isso seria feito com a aceitação pela Previdência Social de documentação dada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, por intermédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os trabalhadores querem, ainda, direito aos auxílios doença e maternidade.

De acordo com Costa, o MLST tem interesse em formar agroindústrias, como usinas de leite, e centros de distribuição da produção. A venda de excedentes da lavoura para o governo, destinada à merenda escolar, como é feito na agricultura familiar, é outra reivindicação do movimento.

Em 2006, cerca de 500 integrantes do movimento invadiram a Câmara dos Deputados, onde quebraram janelas de vidro, portas e mesas. Muitos foram presos e alegaram que reagiram dessa forma por causa da hostilidade com que foram recebidos pela seguranças da Casa. O MLST existe desde 1994 e, segundo seus coordenadores, está satisfeito com "a receptividade" que vem tendo do governo nos últimos anos.

 

Edição: Nádia Franco

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