Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Movimento convoca protesto contra condenação de Lesly Recinos Guerra

Segunda, 04 de Julho de 2011 às 13:28, por: CdB

Comapenas 19 anos, Lesly Recinos Guerras matou o marido em legítima defesa e foicondenada por parricídio pelo Décimo Tribunal de Sentença da Guatemala. Pararechaçar a decisão, o Coletivo Artesana convoca guatemaltecos e guatemaltecas ase fazerem presentes amanhã, na frente da Torre de Tribunais, entre as 11 e 15horas, quando será lida a sentença completa.

"Emmeu nome não, senhores juízes! Eu, povo da República de Guatemala, Não condenoa Lesly Recinos Guerra por ter atuado em Legítima Defesa!”, diz o cartaz da manifestação.

Leslyestava casada com Carlos Armando Nájera Sipac há quatromeses e sofria constantemente violência por parte do cônjuge. Na noite de setede abril deste ano, o casal teve mais uma briga em sua residência, na colôniaEl Limón, Cidade de Guatemala. Carlos avançou em direção à esposa, com uma facaem punho, ameaçando matá-la. Lesly pegou outra faca e desferiu um golpe nopeito do marido, o que causou a morte dele.

Osjuízes Romeo Ottoniel Gálvez, Eduardo EnriqueMaldonado e a juíza Vilma Militza Paredes condenaram a jovem a 25 anos deprisão, por parricídio. Para isto, invocaram as leis de ViolênciaIntrafamiliar, Lei Contra o Feminicídio e as Convenções de Belém do Pará e deDireitos Humanos.

OColetivo Artesana critica a utilização destas leis para basear a sentença,classificando a decisão como "a Aberração de utilizar o Marco Jurídico nacionale internacional a favor das mulheres contra nós”.

Nomesmo sentido, a cientista socialSilvia Trujillo, em seu blog no jornal Plaza Pública, considera que nãocabia, no caso de Lesly, utilizar as leis em que os juízes se basearam. "Semdúvida, estamos no mundo ao contrário, porque as e os juízes estão usandoferramentas que foram criadas em defesa da vida das mulheres... contra elas”,enfatiza.

Ela destaca as condições em que Lesly matou o maridoe denuncia o fato de os juízes não terem levado isso em conta. "(...) novamenteo sistema de justiça da Guatemala enviou à sociedade a mensagem incorreta aocondenar uma mulher por parricídio sem levar em conta que no momento de cometero fato ela optou por sua vida, atuou em legítima defesa e feriu de morte a seucônjuge evitando desta forma que ela acabasse com a sua (vida)”, afirma.

A cientista social se mostra indignada com a falta de percepção dosmagistrados. "(...) não compreenderam o significado do continnum de violência que ela viveu, nem tampouco aprenderam oimpacto que essa violência permanente infringida contra ela tem sobre suapessoa e sobre suas ações”, explanou.
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