Os soldados americanos tentam fazer o possível para que os 1,5 milhão de habitantes de Mosul, capital da província de Nínive, possam votar no próximo dia 30 deste mês, mas os oficiais superiores prevêem todas as dificuldades na área, inclusive a possibilidade de ação de homens-bombas dentro das cabines de votação.
Os oficiais dos Estados Unidos tentam acalmar os temores da população de maioria árabe sunita desta cidade, afetada pela violência. Os preparativos finais para a votação, que boa parte dos dirigentes sunitas quer boicotar, são feitos com grande sigilo por motivos de segurança.
Não existem bandeiras ou cartazes eleitorais em Mossul, onde os candidatos e os partidos postulantes à Assembléia Nacional e ao Conselho Provincial de Nínive se mantêm discretos.A polícia local não pôde ser reconstituída. Boa parte dos policiais desertou desde novembro, depois de uma série de ataques rebeldes contra delegacias da cidade.
Porém, o maior temor do exército americano é que suicidas detonem bombas em meio à multidão no dia das eleições. No mês passado, um homem-bomba explodiu sua carga em uma base militar americana de Mossul, matando 22 pessoas.
Militares dos Estados Unidos advertiram para os riscos de ataques "espetaculares" dos rebeldes durante as eleições. O primeiro-ministro Iyad Alawi se declarou inquieto quanto ao desenvolvimento da votação em quatro províncias do norte e do oeste do país.
-Participar das eleições é um ato de infiéis", adverte um panfleto encontrado pelos militares em Mossul e assinado pelo grupo extremista armado Ansar Al-Sunna.
-Não às eleições sob a ocupação - afirma outro panfleto.
Os soldados afirmam ter encontrado panfletos que ameaçam decapitar os eleitores. O Ansar Al-Sunna e o grupo do extremista jordaniano Abu Mussab al-Zarqawi, vinculado à Al-Qaeda ameaçaram atacar os locais de votação.
-Temos que agir de maneira que as pessoas se sintam seguras - disse o tenente-coronel Michael Gibler, comandante das forças americanas no leste da cidade.
As tropas distribuirão panfletos incentivando a votação: "Diga basta aos terroristas. Oponha-se ao terror e salve o Iraque em 30 de janeiro".
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