Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Mostra Tiradentes reúne 120 filmes e atrai grande público

Dando início à sua programação de mais de 120 filmes, a 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes realizou sete sessões no último sábado - primeiro dia da mostra- que, juntas, atraíram mais de 5 mil espectadores ao Cine-Tenda e à Cine-Praça, no centro histórico da cidade mineira. (Leia Mais)

Quarta, 28 de Janeiro de 2009 às 13:52, por: CdB

Dando início à sua programação de mais de 120 filmes, a 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes realizou sete sessões no último sábado - primeiro dia da mostra-  que, juntas, atraíram mais de 5 mil espectadores ao Cine-Tenda e à Cine-Praça, no centro histórico da cidade mineira. A mostra tem reunido temas importantes e atraído uma grande quantidade de espectadores.

Apesar de considerados filmes "difíceis" pelo clima de mal-estar instaurado em suas narrativas, Subterrâneos, primeiro filme de José Eduardo Belmonte (parte da homenagem ao diretor), A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele, e FilmeFobia, de Kiko Goifman, foram responsáveis por longas filas em frente ao Cine-Tenda e lotaram seus 600 lugares, sendo bastante aplaudidos ao final das sessões.
 
Já o Cine-Praça teve sua primeira sessão com Titãs – A Vida Até Parece Uma Festa, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves. Sentados na platéia montada especialmente para a sessão no Largo das Forras ou espalhados pelos restaurantes e bares em torno da praça, o público se empolgou com a história da banda de rock paulista, cantando as músicas que eram apresentadas na tela como se estivessem em um show. Ao final, o documentário foi bastante aplaudido, tornando-se o primeiro forte candidato ao prêmio de melhor filme concedido pelo Júri Popular.
 
Teve início também no último sábado as sessões da Mostrinha de Cinema, programação dedicada ao público infantil, que contou com a exibição do longa Tainá – Uma Aventura na Amazônia e da série de curtas digitais "Programa Curta Criança 1". Os curtas digitais também tiveram sua primeira sessão oficial, com a série "Doc 1", composta por documentários de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso.
 
A programação deste domingo abre com um bate-papo sobre FilmeFobia, com a participação do diretor Kiko Goifman, do ator e teórico Jean-Claude Bernardet e da crítica de cinema Ilana Feldman. Entre os filmes, é a vez de A Concepção, segundo longa-metragem de José Eduardo Belmonte, ser exibido na série Homenagem, enquanto a Mostra Vertentes inicia sua programação com Contratempo, de Malu Mader e Mini Kerti, e Acácio, de Marília Rocha, e a Mostra Olhares apresenta Mistéryos, de Beto Carminatti e Pedro Merege.
 
Na programação de curtas digitais, a série especial "Retratos" apresenta três documentários de Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, enquanto a Mostrinha prossegue com o longa Tainá 2 – A Aventura Continua e a série "Curtas Para a Nova Geração".
 
Segunda-feira tem início a Mostra Aurora, dedicada a jovens realizadores em seus primeiros longa-metragens, com a exibição de A Casa de Sandro, do diretor carioca Gustavo Beck (premiado por seu curta Ismar). Começam também as sessões de curtas-metragens, com duas séries - uma no Cine-Tenda e outra, ao ar livre, no Cine-Praça – enquanto os curtas digitais continuam suas exibições com a série "Ensaio 1". Também na segunda começa o 12º Seminário do Cinema Brasileiro: Idéias e Perspectivas, com o Encontro Nacional do Fórum dos Festivais, entidade que congrega representantes de 57 eventos audiovisuais realizados no Brasil e no exterior.
 
Também teve início o já tradicional Encontro com a Crítica, o Diretor e o Público, com um concorrido debate sobre o filme de abertura Se Nada Mais Der Certo, do homenageado desta edição, José Eduardo Belmonte. Com 150 lugares, o Cine-Teatro recebeu mais de 200 pessoas que se espalharam pelos corredores do auditório para ouvir Belmonte, seus atores e o crítico Carlos Marcelo discutirem este que é o quarto longa-metragem do diretor em apenas seis anos.
 
Carlos Marcelo deu início ao debate destacando a importância e pertinência de Brasília – cidade onde Belmonte concluiu seu curso de cinema, na UnB, e rodou seus dois primeiros longa-metragens – no cinema do diretor que, segundo ele, faz um cinema de fricção, não de ficção.

- A arte realizada em Brasília, seja no cinema, na música ou na literatura, traz sempre um embate incontornável com a cidade. Nos filmes de Belmonte, esse embate se dá também na relação do som com a imagem. Em seus filmes, o som não se comporta e parece ter vida própria - afirmou o crítico brasiliense.
 
Belmonte concordou que Brasília – por ser uma cidade que, segundo ele, não proporciona o encontro entre as pessoas – influencia na relação sempre de crise de seus personagens com os espaços em que habitam e com as demais pessoas ao seu redor. Ele afirmou ainda que seu cinema é muito pautado por questões que ele traz desde sua infância: "as perguntas da infância permanecem e o grande desafio na vida adulta é justamente achar algumas dessas respostas. Nesse sentido, meu cinema nasce dessas perguntas da infância".
 
O diretor destacou também a importância da experiência religiosa nos filmes que realiza.

- Fora a religião, o cinema é a única possibilidade de uma experiência de transcendência. Eu trago dessa formação religiosa a tentativa de ver o que é não-visto, e talvez por isso meu cinema busque tanto o sensorial - especula Belmonte.
 
O debate, entretanto, girou em sua maior parte em torno de uma observação lançada por Carlos Marcelo em sua fala inicial: a de que, no cinema de Belmonte, os atores são co-autores de seus filmes. Em maioria no palco do Cine-Teatro, os atores Eucir de Souza, Luiza Mariane, Caroline Abras e Murilo Grossi foram unânimes em destacar a liberdade concedida pelo diretor no processo criativo do filme e a admiração que todos possuem pela figura pessoal e profissional de Belmonte.
 
Da platéia, Juliano Cazarré e Rosanne Mulholland (homenageada da última edição da Mostra Tiradentes) confirmaram as impressões de seus colegas da mesa.

- Belmonte estabelece o caos para o ator, deixando-nos com a sensação de estarmos completamente perdidos, mas mesmo assim continuamos com plena confiança nele, pois ele sabe exatamente o que está fazendo e onde quer chegar com isso - explica Rosanne.
 
Entre o público presente, diversas manifestações indicaram que o filme conseguiu um amplo diálogo e deixou muitas questões aos espectadores. Um estudante de cinema na platéia, ao pedir a palavra, sintetizou essa relação do público com Se Nada Mais Der Certo: "eu nunca tinha visto um filme do Belmonte, mas agora eu acho que conheço um pouco ele, como pessoa mesmo, pois ele se coloca inteiramente no filme". Na mesa, Murilo Grossi, que atuou em todos os filmes de Belmonte, corroborou essa impressão: "Belmonte parte para o filme quando ele tem uma dúvida, não um discurso pronto. Ele coloca uma questão e, ao fazer isso, se expõe como autor e como pessoa".

A programação da Mostra Tiradentes continua até o dia 31 de janeiro nos três espaços de exibição (Cine-Praça, Cine-Tenda e Cine-Teatro), sempre com entrada franca.

Informações para o público:

(31) 3282.2366 – Universo Produção     

Site oficial: www.mostratiradentes.com.br 

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