Começou no CCBB a mostra A Tela Aberta: Ilusões da Democracia, que exibe filmes brasileiros produzidos no processo de redemocratização do país (fim dos anos 70 até o meio da década de 80). Ou falsa redemocratização, como o título felizmente sugere.
Depois de pouco mais de duas décadas de ditadura, a sétima arte passou por intensas transformações, mas nada que pudesse caracterizar uma estética específica proporcionada pela condição de se fazer um "cinema sem medo" nos anos 80. Movimentos como o Cinema Novo ou o Cinema Marginal, pouco estiveram relacionados ao período de redemocratização como unidade. Os cineastas já não tinham a vontade da experimentação e nem o frescor do cinema engajado no final das contas. Em plena ditadura o gênero que mais se sobressaiu e durou foi a pornochanchada. Alguns apontam o militarismo como principais incentivadores indiretos para o abandono de uma proposta revolucionária (estética e discursiva) no cinema brasileiro. Logo, a ocasião proporcionou as pornochanchadas, despretensiosas histórias eróticas de cunho popular.
Já nos anos 80, a coisa pareceu totalmente diversificada, híbrida. A mostra do CCBB deixa de comprovar isso. No repertório temos em sua maioria fitas afinadas com os resquícios do Cinema Novo, que sobrevivia de rótulos específicos para cineastas simbólicos (Cabra Marcado para Morrer, Bye Bye Brasil, A Idade da Terra, etc.). Alguns nomes do Cinema Marginal também marcam presença. Constata-se que a mostra está mais preocupada em exibir as fitas dos cineastas já veteranos na época do que filmes propriamente do momento, de cineastas que se expressavam pela primeira vez naquele instante e eram frutos de seu tempo. Resumindo, é restrita a ícones e fantasmas, não ao hibridismo que (des)caracterizou a época e culminou em filmes tipicamente oitentistas, como Bete Balanço, de 1984.