Numa programação com 108 títulos, incluindo os curtas-metragens, 43 contam com uma mulher na direção, cerca de 40%, também um recorde
Por Redação, com ABr - de Tiradentes, MG
A 20ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, encerrada neste sábado, é a que recebeu o maior número de inscrições de filmes dirigidos por mulheres. Foram 37 longas-metragens, o que representa 19% do total de inscritos. Com trabalhos que tiveram a qualidade reconhecida, esse percentual aumenta se forem considerados os filmes selecionados.
Numa programação com 108 títulos, incluindo os curtas-metragens, 43 contam com uma mulher na direção, cerca de 40%, também um recorde.
— Nós não fizemos nenhum tipo de cota. Ninguém entrou na Mostra de Cinema de Tiradentes por ser mulher. Eu defendo muito que a expressividade seja o principal - destaca o curador Cléber Eduardo. Segundo ele, os filmes também seriam selecionados se tivessem sido dirigidos por homens.
Território masculino
Para Cléber Eduardo, embora o fenômeno esteja ocorrendo tardiamente em algumas áreas, é inevitável a expansão da presença feminina no mercado em geral, não apenas no cinema. "Isso ocorre em todas as atividades que até pouco tempo atrás eram consideradas de territórios exclusivamente masculinos", define.
— Há muitas mulheres no cinema, mas em algumas funções. Na produção e na direção de arte, elas reinam. Mas há funções como direção, direção de fotografia e montagem ainda bem masculinas. Isso está sendo quebrado aos poucos – disse.
Mundo feminino
O curador entende que a ausência de mulheres em certas funções afeta o resultado final dos filmes, sobretudo as representações femininas.
— Sendo os roteiristas homens, predominantemente, temos uma limitação grande na forma como as personagens femininas aparecem — deduz.
Com a experiência de mulher à frente da direção da Mostra de Cinema de Tiradentes desde sua origem, há 20 anos, Raquel Hallak comemora o crescimento da ocupação feminina no audiovisual e faz menção ao tema desta edição do evento: "Cinema em reação, cinema em reinvenção".
— O cinema está mostrando essa ocupação das mulheres, tanto nas telas, como nos bastidores. É uma prova da reinvenção do cinema. O mundo é feminino e o futuro é feminino — acrescenta.
Refletindo este momento, a Mostra de Tiradentes lançou este ano o Troféu Helena Ignez, que será entregue anualmente a uma mulher que tenha atuado na produção de obras concorrentes da Mostra Foco, de curtas-metragens, e da Mostra Aurora, que reúne longas de novos realizadores.