Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Mosteiro de São Bento começa a ser restaurado

Quinta, 09 de Dezembro de 2004 às 11:53, por: CdB

O abade Dom Roberto Lopes realiza, nesta sexta-feira, a cerimônia da bênção do início das obras de restauração da Igreja de Nossa Senhora de Monserrate, no Mosteiro de São Bento, considerada a mais importante edificação religiosa erguida no Brasil durante o século XVII.

 Como a última intervenção restauradora ocorreu há cerca de 25 anos, a construção apresenta hoje muitos sinais de deterioração, em especial nos entalhes e nas pinturas a ouro. As obras estão orçadas em R$ 3 milhões, dos quais R$ 1 milhão em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no âmbito da chamada Lei Rouanet, que regula os patrocínios culturais.

O projeto da edificação foi elaborado pelo arquiteto militar Francisco de Frias da Mesquita, por volta de 1618. O início das obras, porém, só viria a se concretizar 40 anos depois, devido às invasões holandesas ocorridas na época, e a construção só foi concluída em 1641.

Por reunir harmonicamente as principais tendências estéticas do final do século XVII e de todo século XVIII, com as paredes inteiramente cobertas de pinturas a ouro, a Igreja de Nossa Senhora de Monserrate tem particular importância histórica e se tornou uma das primeiras obras tombadas pela União, em 1938.

Os entalhes da nave central, concebidos em fins do século XVII, seguiram o estilo português. Nas capelas laterais, a partir de 1747 foi incorporado o estilo joanino, adotado em Portugal no reinado de D. João III, com figuras e símbolos bem destacados e elementos presos ao painel.

Depois, o estilo rococó também viria a ser assimilado, a partir de 1788, quando houve a remodelação da Capela do Santíssimo Sacramento. Em todos os estilos, inclusive no rococó, que segue a tradição do Norte de Portugal, a igreja sofreu o mesmo tratamento de douramento integral, dando à obra um caráter de harmonia.

A opulência decorativa da Igreja contrasta com a simplicidade das fachadas e demais dependências do Mosteiro, surpreendendo turistas e visitantes que comparecem às missas rezadas com corais de canto gregoriano.

Para elaboração do projeto de restauro foi realizado um levantamento completo da edificação. Os especialistas localizaram danos nas talhas, pinturas, forros e esculturas da igreja, identificando ataques de cupins em diversos pontos da construção. No coro superior, por exemplo, a luz solar e a infiltração da água das chuvas deterioraram a pintura a ouro ao redor da janela.

Em vários outros pontos da igreja foram localizadas infiltrações, com necessidade de restauro nas pinturas. Já as grades de jacarandá, instaladas no início do século XVIII, estão danificadas por efeito químico de sabão e cloro utilizados na limpeza do piso. A perda da camada de proteção das grades deixa a madeira desprotegida, provocando deterioração do suporte.

Além do reparo desses danos, o projeto prevê também melhoria das instalações elétricas, monitoramento das condições climáticas do interior da igreja, obras para prevenção de incêndios e instalação de equipamentos contra roubos.

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