O ecossistema ímpar das ilhas Galápagos está ameaçado pela chegada de mosquitos transmissores de doenças em aviões e barcos turísticos, disseram pesquisadores nesta quarta-feira. Os especialistas temem que a difusão do pernilongo Culex quinquefasciatus tenha no arquipélago equatoriano o mesmo efeito devastador que teve no final do século 19 no Havaí, quando doenças transmitidas por esse mosquito mataram muitas espécies nativas de aves.
O mosquito começou a ser encontrado em Galápagos em meados da década de 80, mas sua presença era na época considerada algo efêmero e casual. Agora, cientistas britânicos e equatorianos descobriram que os pernilongos, na verdade, são transportados regularmente em aviões e barcos, espalhando-se no arquipélago. Exames genéticos confirmam que eles são capazes de sobreviver e procriar no seu novo lar.
– Mais navios e mais aviões estão vindo para Galápagos a cada ano, e o risco de algo ser introduzido cresce a todo instante – disse o pesquisador Simon Goodman, da Universidade de Leeds.
– Por sorte, ainda não tivemos impactos sérios em termos de doenças em Galápagos – afirmou.
O pernilongo Culex transmite doenças como malária aviária, varíola aviária e febre do Oeste do Nilo. No caso do Havaí, o inseto chegou em barris de água de navios baleeiros, devastando a fauna local. Hoje restam ali só 19 de 42 espécies e subespécies de um passarinho conhecido localmente como honeycreeper.
Goodman e seus colegas, que publicaram suas descobertas na revista Proceedings of the Royal Society, temem que haja uma conjunção semelhante de fatores que possa levar a uma devastação em Galápagos, devido ao rápido crescimento da comunicação física com o continente.