A Rússia acredita que a terceira rodada sobre a crise nuclear norte-coreana não trará grandes avanços devido à grande desconfiança entre Pyongyang e Washington e, sobretudo, às próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos.
Nestas negociações multilaterais, as duas Coréas, China, EUA, Japão e Rússia abordarão em Pequim entre os próximos dias 23 e 26 a retomada pelo regime de Pyongyang de um programa nuclear secreto que poderia ser utilizado para produzir armas atômicas.
- Não esperamos avanços nesta nova rodada. Não será a última, e não temos necessidade de apressar - disse na ultima quinta-feira o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, que designou o diplomata Alexandr Alexeyev como representante do Kremlin nesse encontro.
Lavrov acrescentou que esta crise, enfrentada sobretudo pelos EUA e a Coréia do Norte, constitui "um problema muito complicado, cuja solução se vê obstruída por muitos anos de desconfiança" entre Washington e o regime stalinista de Pyongyang.
O ministro de Exteriores russo se mostrou convencido de que a nova rodada "não terminará com decisões definitivas aceitáveis para ambas as partes", mas ressaltou que "todos os participantes lutam por continuar as conversações no mesmo formato", a seis.
Para o chanceler, "esse mecanismo de consultas permite dar passos para restabelecer a confiança e buscar soluções que garantam que na Península coreana não haja armas nucleares e que os países dessa área, incluindo a Coréia do Norte, sintam-se seguros e disponham de fontes energéticas que não dependam da conjuntura política".
Os EUA exigem que a Coréia do Norte ponha fim a suas investigações nucleares retomadas em 2002, tanto as orientadas à produção de energia de uso pacífico, como as que poderiam dirigir à obtenção de urânio enriquecido e plutônio para armas atômicas.
O regime norte-coreano exige de Washington o reinício do abastecimento energético e de ajuda humanitária interrompidos em novembro de 2002, um mês após a descoberta de que a Coréia do Norte tinha começado a processar urânio, e também pede a assinatura de um pacto de não agressão com os EUA.
Para Washington, é essencial que Pyongyang volte ao acordo assinado entre os dois países em 1994 e ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), e aceite de novo os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encarregados de verificar as instalações de energia norte-coreanas.
Segundo a Casa Branca, o regime do ditador norte-coreano, Kim Jong-II, já poderia dispor de várias bombas atômicas.
Os especialistas russos se mostraram igualmente céticos sobre as perspectivas da nova rodada, mas foram mais claros ao indicar as razões de tal paralisação.
- Em Pequim, não se espera qualquer avanço, porque nenhuma das partes tem novas propostas sobre as vias de solução desta crise - disse o chefe do escritório russo do Centro Internacional para Informação de Defesa, Ivan Safranchuk.
Além disso, ressaltou, "o mais provável é que as partes estejam inclusive interessadas em prolongar o estudo de possíveis propostas com vistas às eleições presidenciais dos EUA".
Segundo Safranchuk, a Coréia espera que a queda de popularidade do presidente dos EUA, sobretudo pela guerra do Iraque, leve a uma substituição na Casa Branca e a uma política "mais suave" para Pyongyang depois de uma possível vitória dos democratas.
"Por isso, Pyongyang agora não está disposto a fazer nenhuma concessão, e os demais participantes das negociações entendem perfeitamente." Outro especialista russo, Roald Saveliev, acrescentou que "nessa situação pré-eleitoral, a administração republicana de Bush tem dores de cabeça com o Iraque, e não está interessada em aquecer a situação em outra parte do mundo".
"Até as eleições, a administração Bush não tomará nenhum passo duro a respeito de Pyongyang", opinou Saveliev, diretor adjunto do Centro de estudos coreanos da Acade