Uma passeata promovida contra opositores do presidente Hugo Chávez para marcar o Dia do Trabalho na Venezuela foi interrompida, nesta quinta-feira, por tiros de origem desconhecida, que levaram o pânico ao centro de Caracas e causaram pelo menos uma morte. O prefeito do distrito de Chacao, Leopoldo López, que é contrário a Chávez, disse que o tiroteio que aconteceu a 15 metros de onde ele se encontrava, na Praça O Leary. Segundo López, uma discussão antecedeu os tiros. "O assassino fugiu no meio da confusão", disse o prefeito à emissora Globovision. Assim como a oposição, setores que apóiam Chávez também participaram de uma outra gigantesca passeata pelas ruas de Caracas no Dia do Trabalho, levando as autoridades a mobilizar 2.500 policiais e soldados para conter eventuais distúrbios. Decidido a acabar com a oposição dos sindicatos, o próprio governo convocou a manifestação. Chávez tem questionado fortemente os dirigentes sindicais, aos quais se refere como "corruptos" aliados aos empresários, em um complô que se propõe a derrubar seu governo. - Temos enfrentado muitos problemas causados por golpistas e terroristas, mas vamos superá-los. E vamos superá-los não apenas para os ricos, mas também para os trabalhadores e os humildes - declarou o vice-presidente José Vicente Rangel. Rangel conclamou os seguidores de Chávez a manter a união, afirmando que o comparecimento à marcha do governo era "maciço". Na manifestação de protesto contra o governo de Chávez, as maiores centrais operárias do país marcharam ao lado dos principais partidos de oposição e de organizações empresariais. "Trabalho sim, Chávez não" e "Vai-te embora, Chávez" eram alguns dos lemas ostentados nas faixas dos participantes, que, antes do tiroteio, percorreram algumas das mais importantes avenidas do centro de Caracas até a praça O'Leary, a quatro quadras do palácio presidencial de Miraflores. "O povo está de novo nas ruas", observou o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela, Manuel Cova. A oposição andava quieta desde o fracasso, em fevereiro passado, da greve geral que se estendeu por quase dois meses. - A partir do 1º de Maio, começa a correr o tempo que resta a este presidente, pois este ano vamos tirá-lo do poder -, acrescentou, em seu discurso à multidão. Cova exortou a população a formar comitês a favor do referendo popular reivindicado pela oposição, com o objetivo de decidir se Chávez deve ou não ter seu mandato revogado. Segundo a Constituição Venezuela, o referendo pode ser convocado depois que o presidente completar a primeira metade de seus anos de governo. No caso de Chávez, após 19 de agosto.
Morte e tiroteio marcam a passeata contra Chávez na Venezuela
Quinta, 01 de Maio de 2003 às 14:53, por: CdB